- 03 de fevereiro de 2026
do Agora Madeira, cano de ferro e alguns parafusos. Com esse material, já existe gente fazendo arma para entregar à Campanha do Desarmamento. Informações que chegaram à Superintendência da Polícia Federal na semana passada dão conta de que serralheiros estariam começando a fabricar armamentos rústicos com o objetivo de conseguir a indenização, que vai de R$ 100 a R$ 300, dependendo do modelo apresentado. "Já ouvimos falar em gente fazendo arma com a finalidade de receber a recompensa", disse o delegado da PF Antônio Wagner Castilho. Ele ressalta que armas artesanais com aspecto de novas não têm vez na campanha. "Essas não serão aceitas pela PF." G Roth/Folha Imagem Armas artesanais recebidas pela Polícia Federal Mas algumas peças de "fundo de quintal" já foram recebidas, com direito a remuneração de R$ 100. Uma arma calibre 12 e outra calibre 32, que aparentam já terem sido usadas, são exemplos. "São sistemas rústicos, mas que podem funcionar", afirmou o delegado da PF. A arma de calibre 12, que se assemelha fisicamente a um fuzil, foi fabricada com materiais fáceis de serem comprados, como parafusos, madeira, cano de ferro e fita isolante. O sistema de disparo, com gatilho simples, utiliza parafuso e mola. A arma não foi testada, mas, de acordo com a PF, aparentemente ainda seria capaz de atirar. Ao contrário da calibre 12, a calibre 32 artesanal recebida pela polícia não tem mais poder de detonação. Confeccionada em madeira e ferro, a peça está sem alguns dos seus componentes. "A lei [do Estatuto do Desarmamento] não diz em que estado de conservação a arma tem de estar para que o seu dono seja indenizado", afirma Castilho. Por isso, de acordo com ele, a campanha tem recebido todo tipo de arma. Recorde Na última sexta-feira, uma estudante de Jundiaí (60 km de SP) marcou um recorde ao entregar cerca de 1.300 armas à campanha. A Polícia Federal recebeu mais de 5.000 armas em todo o país após a publicação de portaria que estabeleceu os valores de indenização pela entrega, no Estatuto do Desarmamento, no último dia 15. A meta inicial de recolhimento é de 80 mil armas até o fim do ano, número previsto de indenizações com o crédito especial de R$ 10 milhões aprovado pelo Congresso. No entanto, a PF acredita que a meta será atingida antes. O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, assinou portaria que autoriza outras instituições militares e de segurança pública a receberem as armas, como os quartéis do Exército, as polícias Militar e Civil e o Corpo de Bombeiros. A indenização a ser paga pela arma vai de R$ 100 a R$ 300, de acordo com o tipo e o calibre. Segundo a PF, o valor será depositado em conta corrente informada pelo interessado, e deverá ocorrer em até 30 dias após a entrega da arma em qualquer delegacia, posto ou superintendência da Polícia Federal no país.