Roraima: orgulho de sua educação
A Educação Indígena de Roraima é um grande diferencial para o Brasil, por ser o único estado brasileiro a ter carreira específica para professores indígenas. O Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações está em vigor desde janeiro deste ano, após aprovação na Assembleia Legislativa, beneficiando mais de 13 mil docentes.
No dia em que se celebra o Dia do Professor (15 de outubro), muito há o que comemorar, tendo em vista os avanços conquistados para a categoria. Além da carreira específica para professor indígena, em 2013 também foi aprovada a nova matriz curricular para a Educação Indígena. Roraima é o primeiro Estado do Brasil em que a matriz curricular indígena tem a mesma carga horária da Língua Materna e Língua Portuguesa (oficial do Brasil).
A Educação Indígena é uma modalidade de responsabilidade partilhada entre o Governo Federal/Ministério da Educação (MEC) e Governo de Roraima. Para garantir a permanência do professor em sala de aula, o governo estadual tem realizado certames para contratação exclusiva de professores indígenas para atuarem nas comunidades, conforme anseio desses povos e ato pioneiro no Brasil.
NOVAS ESCOLAS
O investimento na Educação Indígena também abrange a parte estrutural das instituições. Este ano, foram entregues para as comunidades indígenas seis escolas: Escola Estadual Indígena Agrícola Pacheco (Comunidade do Ouro – Amajari), Escola Estadual Indígena Santa Rita (Comunidade Camaru – Bonfim), Escola Estadual Indígena Arthur Pinto da Silva (Comunidade Nova – Pacaraima).
E ainda a Escola Estadual Indígena Koko Waraura (Comunidade Laje – Uiramutã) e Escola Estadual Indígena David de Souza (Comunidade Nova – Boa Vista Rural). E mais recentemente, neste mês de setembro, a Escola Estadual Indígena Santa Mônica, localizada na Comunidade Camararém, município de Uiramutã, recebeu obras de reforma geral.
“Temos investido na Educação Indígena, que é uma particularidade do nosso Estado e prioridade do governo estadual. As comunidades recebem materiais, os professores passam por cursos de capacitação, os conhecimentos chegam até as instituições indígenas e ao mesmo tempo, os povos mantêm seus costumes, sua cultura, sua origem”, enfatizou a secretária Estadual de Educação e Desportos, Lenir Rodrigues.
Os municípios do interior também contam com os Centros Regionais de Ensino, que são unidades responsáveis por dar suporte às escolas com a distribuição de material pedagógico, orientações e realização de oficinas, a fim de evitar o deslocamento à Capital. No total, existem 15 Centros Regionais de Ensino no Estado.
Somente na área indígena são oito centros espalhados nas seguintes regiões: Taiano, Normandia, Baixo Cotingo, Surumú, Serra da Lua, Amajarí, São Marcos e Serras.
65% das escolas são indígenas
Dados do Censo Escolar 2012 revelam que 65% do total de escolas da rede pública estadual são de origem indígena. Nesse contexto, das 381 unidades de ensino, 248 são indígenas e contam com 13.575 alunos e 1.308 professores.
Para contribuir com o deslocamento de alunos indígenas o Governo do Estado distribuiu mais de 800 bicicletas, adquiridas com recursos próprios. Já foram contemplados estudantes do Uiramutã, Cantá, Bonfim e Sul do Estado.
Na Capital, são 62 instituições e 71 escolas no interior. Com relação aos docentes, existem 4.367 professores no Estado, sendo 2.031 na Capital, 1.028 no interior e 1.308 docentes indígenas.
Quanto ao material didático indígena, o governo estadual confeccionou 11.266 unidades de livros, cartilhas e material da literatura indígena. O investimento foi de R$ 388 mil.
Segundo Lacimir da Silva, professora e gestora responsável pela escola Santa Mônica, na comunidade Camararém, município de Uiramutã, o material didático é adaptado para a realidade indígena da Comunidade. “Com a Matemática, que é considerada a disciplina de maior dificuldade de aprendizado, procuramos inovar na metodologia, fugindo do tradicional para atrair nossos alunos”, enfatizou.
REMUNERAÇÃO
Atualmente, o Governo do Estado de Roraima paga aos professores de Nível Médio (Magistério) a ordem de R$ 1.528,44 para uma jornada de 25 horas, sendo 16 horas em efetivo exercício da docência em sala de aula e 9 horas destinadas à hora-atividade (1/3 da carga horária total).
Os docentes de Nível Médio recebem ainda uma Gratificação de Incentivo à Docência (GID) no valor de R$ 764,22, perfazendo um total de R$ 2.292,66. Já os docentes com Licenciatura Plena, recebem salário inicial na ordem de R$ 2.122,57 somado à GID, o valor chega a R$ 2.886,79. A carga horária de 16 horas semanais se aplica a todos os docentes integrantes do Magistério Público Estadual.
De acordo com levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), da região Norte apenas os estados do Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins cumprem na íntegra a Lei 11.738/2008 – Piso salarial do Magistério Público. Dos 27 Estados Brasileiros, apenas 19 cumprem na íntegra a lei.
Professores indios fazem
capacitação continuada
Os professores indígenas têm cursos de formação continuada oferecidos pelo Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (Ceforr).
O Tamî’kan, que na língua Macuxi quer dizer “sete estrelas”, é um desses cursos que busca formar professores que já atuam como docentes nas comunidades indígenas, mas que não têm formação em Magistério. Existe desde 2007 e o curso tem duração de dois anos para quem já tem Ensino Médio e quatro anos para quem ainda não possui a modalidade.
É realizado a partir dos princípios da Educação Indígena, com respeito aos processos próprios de ensino e aprendizagem, com valorização da Língua Materna e diálogo intercultural, além da socialização tradicional dos conhecimentos.
Já foram capacitados 249 professores indígenas das regiões das Serras (Uiramutã/Raposa Serra do Sol), Baixo Cotingo, Raposa, Amajari, São Marcos, Wai-wai e Serra da Lua, envolvendo as etnias Macuxi, Wapichana, Wai-wai, Ingaricó e Yekuana.
Durante o curso, são ministradas aulas de Gestão Educacional, Antropologia, Didática da Língua Portuguesa, Arte Indígena, Espanhol, Informática, História da Educação, entre outras disciplinas como Física, Química, Português, Matemática e também estudam a Língua Materna.
YARAPIARI
Nome dado ao espírito do sabiá. Eles acreditam que o desenvolvimento das faculdades intelectuais se dá a partir desse espírito. O curso Yarapiari atende aos povos indígenas Yanomami e buscar formar docentes que estão em sala de aula sem a formação específica em Magistério. Os professores aprendem História, Geografia, Língua Portuguesa, Matemática, Biologia, Educação Física, Educação Ambiental, princípios da Educação e Pesquisa. Até hoje foram capacitados 76 professores. O curso tem duração de quatro anos.
MURUMURUTÁ
Murumurutá é um nome de um pássaro na Língua Macuxi. É conhecido como currupião, na Língua Portuguesa. O curripião é um pássaro que imita outros pássaros. Nesse projeto, estão em capacitação 86 professores indígenas, sendo 63 da etnia Macuxi e 23 Wapichana, com a finalidade de aprimorar os conhecimentos de Língua Materna.
RR entre as melhores
escolas brasileiras
Promovido pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Prêmio Gestão Escolar (PGE) busca identificar escolas com maior destaque em gestão educacional, e por três anos seguidos, o Estado de Roraima conseguiu ficar entre as seis melhores unidades de ensino público do Brasil.
Em 2011 a Escola Estadual Princesa Isabel recebeu o título “Escola Destaque Nacional”, pela qualidade de ensino oferecida na unidade escolar. Já em 2012 o título foi dado à Escola Estadual Lobo D’Almada. Em ambos os casos as gestoras participaram de um intercâmbio cultural nos Estados Unidos da América (EUA), além de ter recebido a ordem de R$ 10 mil para investimentos da instituição de ensino.
Este ano, o Comitê Nacional de Avaliação do Prêmio Gestão Escolar 2013 definiu as seis finalistas: Roraima (Escola Estadual Mário David Andreazza), Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e São Paulo.
As seis escolas selecionadas receberão prêmio de R$ 10 mil e o diploma de “Escola Destaque Nacional”. Dentre elas, sairá a grande vencedora que receberá R$ 30 mil e o título de ”Escola Referência Brasil”. O resultado da vencedora será divulgado na cerimônia de premiação no dia 31 de outubro em Brasília (DF).
O PRÊMIO
O prêmio é uma iniciativa do Consed em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos; Fundação Roberto Marinho; Instituto Unibanco; Fundação Santillana; Fundação Itaú Social; Instituto Gerdau; Fundação Victor Civita; União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime); Ministério da Educação (MEC); Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Instituto Natura.
O Comitê foi composto pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Fundação Itaú-Social, Fundação Roberto Marinho, Ministério da Educação (MEC), Instituto Unibanco e o Instituto Natura. A seleção foi conduzida pela equipe técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
Roraima: bons índices educacionais
O resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) apontou que o estado de Roraima manteve as metas preconizadas e ficou entre os 15 estados melhores colocados na amostragem nacional. Os dados são referentes ao ano de 2011, último ano de realização da amostragem.
No Ensino Fundamental nas séries iniciais, de 1ª a 4ª, a meta projetada para Roraima era de 4.3 e a atingida foi de 4.5. Já as séries finais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª), a meta estabelecida era de 3.7 e a alcançada na amostragem foi de 3.6. No Ensino Médio, a média foi mantida em 3.5 (a mesma projetada para 2011).
Em Boa Vista, de acordo com os dados, a Escola Estadual Princesa Isabel ultrapassou a meta prevista de 5.6 e alcançou o índice de 6.6 nas séries iniciais do Ensino Fundamental. No IDEB de 2009, a média atingida foi de 5.7. Para manter o crescimento nesse índice, a escola potencializa as atividades e projetos voltados para a Língua Portuguesa e Matemática. O reconhecimento veio em 2011, quando ficou entre as seis melhores escolas públicas do Brasil no Prêmio Gestão Escolar.
Outra escola de Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) da rede estadual que superou a meta foi a Vitória Mota Cruz, que tinha previsão de nota 4.8 e alcançou 5.7. Em 2009 essa escola atingiu nota 4.8. A escola Olavo Brasil tinha que cumprir meta de 4.1 e conseguiu alcançar o índice 5.3. Euclides da Cunha ficou com média 5.9, sendo que a preconizada era de 5.3. A escola Francisca Élzika conquistou o índice de 5,7 e a nota prevista era 5.1.
No Ensino Fundamental séries finais (de 5ª a 8ª séries), a escola Lobo D’Almada, que é a vencedora da etapa estadual do Prêmio Gestão Escolar de 2012, avançou os 4.9 previstos como meta e alcançou a nota 5.4. Outras duas escolas que ultrapassaram a meta prevista pelo MEC foram: Voltaire Pinto, com 3.9 (meta era de 3.7) e Francisca Élzika, que atingiu 4.8 (previsto era 4.7).