Getúlio não é honrado, diz George
O deputado George Melo(PSDC) acusou hoje 8 da tribuna da Assembléia Legislativa de Roraima o empresário e ex-governador do antigo território de Roraima Getúlio Cruz se haver se locupletado com dinheiro público e de ter construído um império econômico “às custas do erário público”, o que, segundo o parlamentar, levaria o empresário a enfrentar sérias dificuldades na Justiça para comprovar, “de forma honesta e honrada”, como fez toda essa fortuna.
George Melo ao assumir a tribuna, fez questão de afirmar que o fazia para “restabelecer a verdade em relação a fatos históricos de Roraima, que ele considera importantes para a informação da sociedade roraimense”. Melo observou ainda estar no primeiro mandato de deputado estadual, depois de dez anos como vereador da capital. “E nesse mandato, fui à Justiça pedir para ser julgado. Queria de volta aquilo que Deus e depois o povo me deu. Consegui provar inocência e ser reconduzido a esta Casa. Agradeço a Deus e ao Judiciário, que me proporcionou os meios necessários à defesa”.
Afirmando agir sempre de forma correta, honrando o mandato popular, George Melo afirmou que “nem todos, no entanto, nos tratam com o devido respeito. Pelo contrário, buscam nos diminuir, colocam-se como maiores e melhores”. E afirmou: “Hoje, quero falar de probidade e de honradez. Essas eram as duas palavras mágicas, preferidas, do então governador do Território Federal de Roraima, senhor Getúlio Cruz”.
Getúlio, na opinião do deputado George Melo, ”tradicionalmente, discursa numa direção, age em outra. Seu histórico pessoal não é de homem probo, muito m4noe honrado, honesto, exemplar”. E continuou: “Governador de Roraima, Getúlio Cruz teve duas grandes marcar. A primeira delas: “Hidrelétrica de Paredão. Quem não acreditar vai levar um choque”. Levamos esse choque. Felizmente não morremos”. Segundo George Melo, o segundo grande feito do então governador do antigo território foi a dragagem do rio Branco. “Imaginem o senhor o que é dragar um rio numa planície sedimentar da Amazônia. Ele quis fazer isso”, afirmou.
Fazendo um histórico desse episódio da dragagem do rio Branco, George Melo disse que Getúlio Cruz contratou duas empresas, a Servaz – Saneamento, Construção e Dragagem, ae Magna Engenharia Ltda. “Torrou milhões. E para quê? Para nada. Por conta disso, responde ao processo nº 1996.0000349-1. Trata-se de uma ação popular”. E contou: “Ao contrário do que eu fiz, Getúlio Cruz faz de tudo para não ser julgado. Deve à Justiça e não só à Justiça. Deve ao povo roraimense. Ao povo da terra onde ele nasceu e que deveria tratar com mais carinho, com zelo”.
Para o parlamentar, o histórico de coisa malfeitas de Getrúlio Cruz não pára por aí. Segundo Melo, Getúlio não se contentou em ficar apenas no choque de Paredão e na dragagem do rio Branco. Na Penitenciária de Caracaraí...” George Melo afirmou que Getúlio Cruz também faliu o Banco de Roraima, adquiriu uma bela fazenda nos arredores de Boa Vista, com as benesses do Banco da Amazônia e do amigo Henry Kaiath, “que depois tentou eleger deputado federal por Roraima”.
História da Folha de BV
E continuou o deputado com suas acusações ao empresário Getúlio Cruz: ”Depois, também com falcatrua, Getulio adquiriu a Folha de Boa Vista e, por último, enquanto era o todo-poderoso da Prefeitura de Boa Vista, um invejável parque gráfico, no Distrito Industrial”. O currículo de mazelas não pára por aí. Getúlio adora o que é público. Faz do que é público a extensão do seu bolso, das suas pretensões pessoais. Foi assim que adquiriu o terreno do seu parque gráfico e também do Instituto João Capistrano, numa área destinada a praça pública, no bairro Caçari.
“Hoje, vou me ater a uma história: como Getúlio Cruz adquiriu a Folha de Boa Vista. O jornal pertencia a quatro brilhantes sonhadores: o economista José Cícero Pessoa Mendes e os jornalistas Fernando Estrela, Tânia Regina Tarsitano e Cosete Espíndola. A Folha adquiriu uma impressora antiga,financiada através do Banco de Roraima. De tão velha, foi logo batizada de Gioconda , em memória da obra “Monaliza”, de Leonardo da Vinci. Outros equipamentos também foram financiados”.
E continuou: “Os novos empresários não puderam honrar seus compromissos. A dívida crescia. Getúlio, governador, foi procurado pelos empresários, que queria a sua ajuda. E o que fez? Deixou que a empresa se endividasse até o limite, para adquiri-la por bagatela. E o que ele fez? Pediu da empresa de Engenharia Kimak que assumisse a dívida junto ao Banco de Roraima. E assim foi feito. A empresa pagou a dívida, construiu o prédio onde ainda hoje funciona o jornal, adquiriu máquinas novas, e entregou tudo de presente, de mão beijada, ao probo, ao honrado Getulio Alberto de Souza Cruz”.
Para George Melo, agindo dessa forma, “fica muito fácil ser empresário e fazendeiro. Getúlio fez o milagre da multiplicação, sempre à sombra do poder, sempre às custas do erário. Deveria estar na cadeia, mas não. E continua com seu discurso moralista, atacando a quem contraria os seus interesses”. E observou: “Eu enfrento a Justiça. O que eu tenho, posso justificar com os meus ganhos. E Getúlio, resistiria a uma reavaliação do seu patrimônio? Teria como justificar o que construiu com seus próprios rendimentos?”
George Melo lembrou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, sendo acossado pela imprensa no julgamento do mensalão, que teve a coragem de enfrentar o que seria a impressão da imprensa para que os mensaleiros não tivessem o devido processo legal.
“Em Roraima, não é diferente. O arrogante e presunçoso Getúlio Cruz acha que pode pautar o Tribunal de Justiça, o Tribunal Regional Eleitoral, a afiliada da Tv Globo. O probo e honrado tem a presunção de achar que em Roraima ele manda em tudo e em todos. Acha que manda em todos os poderes, pauta inclusive parte deste legislativo, que repercute, na falta de discurso, notinhas e matérias do seu jornal em nossas reuniões plenárias”, afirmou George Melo.
Alerta
O deputado George Melo fez um alerta “a quem, aqui, considera-se pessoa de bem. Se é do bem, não se misture com o que não presta, com quem fala em honestidade quando nunca foi honesto na vida. Com quem fala em probidade sem nunca ter sido probo na vida”.
Ao afirmar ser contra o banditismo, ele afirmou que lugar de bandido “é na cadeia. Quem se apropria de bem público, de dinheiro público para locupletar-se, tem a moradia garantia em Monte Cristo e não entre o povo ordeiro do bairro do Caçari”.
George Melo concluiu o seu pronunciamento da tribuna da Assembléia Legislativa de Roraima, afirmando registrar o seu protesto . “Quem usou de meios público, de forma ilícita, para construir parque gráfico, adquirir terras, construir empresas, comprar fazenda e surrupiar os cofres público com a promessa de construir uma hidrelétrica e com a dragagem de um rio numa planície de arenito, representa olado podre, e não o lado decente da política local”.