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Plantio Acelerado

Empresários colherão 38 mil sacas de soja em tempo recorde.


RR prepara colheita de soja
 
Em apenas oito meses os empresários rurais Alcione Nicoletti e Geison Nicaretta estruturaram duas propriedades com tecnologia de ponta para produção de soja. Eles ainda pretendem ir mais longe plantando outras culturas como milho, feijão e algodão.
 
Há muito tempo que a soja é vista como oportunidade de negócio promissor. Não é à toa que ela tem a cor amarela, igual a do ouro. Vislumbrando negócio de sucesso, dois empresários do Mato Grosso avistaram em Roraima possibilidades em investir num empreendimento pessoal, pois a logística e o clima eram propícios para a cultura da soja, uma vez que há perspectiva, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, de chegar à produção de quase 12 mil hectares. O resultado poderá ser visto nesta sexta (13), com palestras no auditório do SENAR, e sábado (14), na Abertura Oficial da Colheita da Soja 2013, na Fazenda Mato Grosso, Vila São Silvestre, a 60 km de Boa Vista.
 
Segundo pesquisas do Ministério da Agricultura, o grão é a cultura que mais cresceu nas últimas três décadas e corresponde a 49% da área plantada no país. Mesmo que dados revelem que a soja melhor se adapta à Região Centro Oeste e Sul do Brasil, o aumento da produtividade está associado aos avanços tecnológicos, ao manejo e eficiência dos produtores.
 
O plantio, o qual os empresários apostaram, mostra 960 hectares cultivados, divididos em dois núcleos. Um deles na Fazenda Mato Grosso, com 445 hectares (20 mil sacas). O outro, refere-se à propriedade Vista Alegre, com 515 hectares (18 mil sacas). Os empresários compraram as terras em dezembro de 2012, com área bruta de lavrado e com estrutura para bovinocultura. Desse desafio, aplicaram a correção de solo, retirada de vegetação permitida e inúmeros piquetes que demarcavam o pasto rotacionado. E no milagre da multiplicação tecnológica, vão colher 38 mil sacas.
 
A fazenda Mato Grosso possui 2700 hectares, com Área de Preservação Permanente (APP) e boa estrutura para implementação do empreendedorismo rural, o qual apostam os dois empresários. A safra desse ano já está toda vendida para o mercado europeu. Eles aproveitam outro fator de comercialização também, a safra americana. 
Os EUA estão passando por dificuldades, como por exemplo, tempo de colheita, geada, falta de chuva, aumento de temperatura, por isso a empresa escolheu a época certa para comercializar o grão.
"A cada R$ 1,00 investido em terra, colocamos R$ 2,00 para produzir. Então o custo em media de tudo: abrir o lavrado, correção de solo e implementar a produção, giram em R$ 2.800,00", disse o empresário Geison Nicaretta, ressaltando ainda, que as dificuldades também existiram, pois sofreram estiagem em uma propriedade e alagamento em outra. Na Fazenda Vista Alegre houve ainda estresses pluviométrico de 24 dias, com 8 milímetro de precipitação que ocasionou perdas de produtividade, além do solo ser mais arenoso.
 
A primeira avaliação de topografia e de relevo demonstrou áreas alagadiças. Em março e abril de 2013, os equipamentos agrícolas trabalharam e eles resolveram arriscar. Logo após a germinação, houve precipitações da chuva. Mas para não perder a lavoura, os agrônomos usaram a tecnologia. Drenos foram feitos para escoar mais rápido a água.
O empreendimento Mato Grosso é uma sociedade de dois engenheiros agrônomos que tem foco na agropecuária, integração e comércio. Nos primeiros dois anos, tem como meta desenvolver a lavoura e a pecuária. Em seguida esperam desenvolver negócio na área de
logística e comércio. 
 
Estudo de solo - Os primeiros passos mais adequados para implantar a cultura de soja foram feitos com a análise de solos. Em setembro de 2012, em visita a Roraima, coletaram amostras da terra e levaram para o Mato Grosso. Constou-se algumas correções necessárias, entretanto houve surpresa da parte química, pois em Roraima a quantidade de calcário necessária para corrigir o solo seria bem menor. As áreas pediam apenas 500 a 600 kg de calcário por hectares para a correção, algo bem mais vantajoso na produção e, conseqüentemente, impactava no financeiro. "No Estado do Mato Grosso temos alumínio tóxico no solo. Usamos uma quantidade de calcário bem maior para correção e em Roraima isso não era problema", ressaltou Nicaretta.
 
A estrutura inicial  
 
Todo investimento inicial foi feito: alojamentos, casa principal, barracão para os maquinários, contêiner comprado em Manaus para armazenar equipamentos agrícolas e produtos químicos e, ainda, a oficina particular do proprietário. Na parte de maquinário, a Agropecuária Mato Grosso possuiu cinco tratores, máquina unicorte, plantadeira de 16 linhas e outra com 17 linhas adquiridas em Roraima e duas colheitadeiras de grãos.
 
O calcário é importado da Venezuela e tem boa granulometria, isso faz com que a reação para neutralizar a acidez do solo seja mais longa. Segundo um dos sócios da empresa, Alcione Nicoletti, na escolha do calcário deve-se levar em conta o Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT), acima de 100% para gerar a rapidez de suprir o cálcio e o magnésio, bem como neutralizar o alumínio do solo para melhores índices.
 
"Se comparamos com o Mato Grosso, o calcário é um pouco mais caro comprado direto da Venezuela. Mas o custo beneficio é vantajoso. A abertura do cerrado da vegetação típica se equivale a áreas abertas do Mato Grosso, se precisamos usar 6 a 7 toneladas por hectares lá, em Roraima em média usamos apenas 2 toneladas de calcário. O preço que chega a R$ 230,00 por tonelada, lá sai por R$ 85,00, ou seja, os números quase se equiparam, se forem administrados corretamente", ressaltou Nicoletti.
 
Controles 
 
A administração usa tecnologia de planilhas de viabilidade econômica; fechamento de fluxo de caixa; projeto inicial de custos paralelo; adota o uso de computadores e ferramentas de comunicação como, por exemplo, GPS, acompanhamento de gastos e produção e smartphones com softwares de controle. Para os empresários o uso dessas tecnologias são essenciais para a empresa se consolidar no mercado.
 
Peculiaridade de Roraima 
 
A dificuldade de fixação de nitrogênio na soja é diferente no estado, ela é vista como oportunidade para os empresários, pois exige atenção e manejo correto. Para conseguir um índice de produção considerável, as operações de plantação devem ocorrer em Roraima com velocidade maior do que o normal. O manejo da palhada ajuda na fixação de nitrogênio, pois um dos grandes fatores que alteram a fixação é o tempo de sobrevivência de bactérias no solo. As temperaturas são altas na Região Norte, por isso adotar horários de plantios alternativos seria uma das opções adequadas.
 
Propriedades da Soja  
 
Um grão com nutrientes invejáveis. Considerado completo, a soja possui no elenco das propriedades constitutivas: proteínas, lipídios, glicídios, fibras, vitaminas B1, B2, B3, ácido fólico, cálcio, ferro e potássio. O conjunto atua como antioxidante, reduzindo as taxas do colesterol ruim (LDL) no sangue e consequentemente diminui o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O grão também é componente essencial na fabricação de rações animais e com uso crescente na alimentação humana, que está em franco crescimento.

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