A programação do Sonora Brasil: Formação de Ouvintes Musicais 2013, com o tema “tambores e batuques” continua neste sábado, 10, com a apresentação do grupo Samba de Cacete da Vacaria (PA) e no domingo, 11, com o grupo Alabê Ôni - Tambor de Sopapo (RS), no Teatro Jaber Xaud, a partir das 20h, com entrada franca.
O grupo paraense Samba de Cacete da Vacaria é formado por pessoas que mantém relações familiares e de vizinhança, e que participam regularmente de atividades sociais, onde se pratica o samba de cacete. Seus integrantes, em sua maioria, são moradores da zona rural da cidade de Cametá e vivem da produção agrícola.
“Uma das situações sociais mais recorrentes relacionadas ao samba é “o convidado”. Trata-se de um movimento de solidariedade e união de forças, quando uma pessoa da comunidade vai preparar o terreno para o plantio e todos se juntam para ajudar. Da limpeza do terreno ao plantio o samba de cacete é tocado no intuito de animar o grupo pra que o trabalho seja feito com eficiência e rapidez”, explicou o músico Marineu Cruz.
O grupo é formado por tamboureiros e cantadeiras/sambadeiras e seus cânticos são acompanhados por dois “tambouros” e mais um percussionista que toca os cacetes. Tem a liderança do Mestre Benedito Moia e conta também com a participação de Ângela Meireles, Maria de Jesus, Manoel Maria, Maria das Graças, Raimundo Moia e Nair dos Prazeres.
Alabê Oni
O grupo é formado por quatro músicos pesquisadores que se dedicam à recuperação da história do tambor de sopapo - o Grande Tambor, e traz ao palco do Sonora Brasil repertório de maçambiques, quicumbis, alujás e candombes, manifestações da cultura negra gaúcha ligadas à tradição religiosa e profana.
Desde 1990, o grupo busca a valorização e revitalização das manifestações musicais oriundas da matriz africana que circulou pelo estado no período da escravidão e foi formado especialmente para o projeto Sonora Brasil, integrado pelos músicos Richard Serraria, Mimmo Ferreira, Walter “Pingo” Ferreira e Kako Xavier.
“Tambores e Batuques” apresenta manifestações da tradição oral presentes em comunidades quilombolas que têm o tambor como um elemento fundamental e, em alguns casos, sagrado. Os grupos circularão utilizando instrumentos fabricados artesanalmente, de acordo com as tradições de suas comunidades, apresentando repertório de cânticos que aludem a fatos da vida social, ao trabalho e às crenças religiosas”, explicou Felipo Abreu, coordenador de cultura do Sesc-RR.
Sobre o Sonora Brasil
Em cumprimento à missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra de fundamentação artística não comercial, o Sonora Brasil consolida-se como o maior projeto de circulação musical do país.
A ação possibilita às populações o contato com a qualidade e a diversidade da música brasileira e contribui para o conjunto de ações desenvolvidas pelo Serviço Social do Comercio - Sesc visando à formação de plateia.
Para os músicos, propicia uma experiência ímpar, colocando-os em condição privilegiada para a difusão de seus trabalhos e, consequentemente, estimulando suas carreiras. “O projeto Sonora Brasil busca despertar no público um olhar crítico sobre a produção e sobre os mecanismos de difusão de música no país, incentivando novas práticas e novos hábitos de apreciação musical, promovendo apresentações de caráter essencialmente acústico, que valorizam a pureza do som e a qualidade das obras e de seus intérpretes”, destacou Felipo Abreu.
Este ano serão 450 concertos, em 128 cidades, a maioria distante dos grandes centros urbanos.