Adubo seria feito de corpo humano
A Polícia Civil de Roraima esclareceu um crime ocorrido há três meses e que não tinha sido registrado ainda. É que a vítima, ainda não identificada, foi morta a golpes de martelo e pedradas e depois teve o corpo queimado em uma fogueira. O que restou do corpo foi utilizado pelo autor confesso do crime, Itevaldo Barbosa, 30, como adubo para um canteiro de mudas.
O caso foi informado na manhã desta segunda-feira, 29, durante uma coletiva concedida pelo secretário de Segurança Pública, Francisco Sá Cavalcante, a delegada geral de Polícia em exercício, Eliane Gonçalves e o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (DPJI), Wesley Costa de Oliveira.
Segundo o diretor do DPJI, o crime aconteceu provavelmente na sexta-feira Santa, 29 de março deste ano, mas somente chegou ao conhecimento da Polícia na última segunda-feira, dia 22, quando um morador da localidade de Campos Novos, município de Iracema, procurou o secretário de Segurança Pública.
O morador, que não foi identificado, disse ao secretário Sá Cavalcante que um homem havia sido assassinado com requinte de crueldade, dentro da área urbana de Campos Novos, teve o corpo queimado e as cinzas e parte do que sobrou de sua ossada estaria servindo de adubo para um canteiro de plantio de mudas na casa em que mora o autor do crime, na sede da Vila.
O diretor do DPJI foi informado do crime e assumiu as investigações em parceria com a equipe de Polícias civis de Mucajaí e Iracema.
“Há tempos não víamos um crime tão bárbaro deste e impressiona o grau de frieza com que foi praticado, confessado pelo autor do crime. Fomos até Campos Novos, realizamos várias diligências, identificamos o autor dos fatos, testemunhas e encaminhamos os restos mortais da vítima para Manaus, onde está sendo feito o exame de DNA, para comprovar sua identidade. Inclusive os familiares estão acompanhando os procedimentos.”, disse.
O delegado disse que a quantidade de ossos da vítima encontrados foi muito pouca e que não davam nem “um balde pequeno”. Na última sexta-feira, 26, uma equipe de odontolegistas, com peritos criminais, recolheram pedaços de ossos e comprovaram que eram humanos no local em que o agricultor vinha dormindo e que ocorreu o crime. Neste dia Itevaldo Barbosa não foi encontrado.
O diretor disse ainda que causa estranheza o fato do crime ter ocorrido numa área urbana, a menos de cem metros da rua principal da Vila, o corpo ter sido queimado em uma fogueira e presenciado por três pessoas e o fato não ter sido comunicado à Polícia.
“Até a semana passada nós não sabíamos que teve esse crime, que tinha vítima, quem era essa vítima e quem era o autor. Mesmo com todo esse tempo para a comunicação do crime, conseguimos esclarecer o crime, representamos pela prisão preventiva do infrator, que foi decretado pelo juiz Parima Veras”, disse.
A PRISÃO
Itevaldo Barbosa foi preso no domingo, 28, em Campos Novos, quando a equipe de policiais que o investigava o abordou conduzindo uma motocicleta. Foi constatado que ele não tinha Carteira de Habilitação e que o veículo estava totalmente adulterado. Ele foi levado à Delegacia de Iracema, onde foi ouvido pelo crime de adulteração do veículo e do assassinato.
“Nós perguntamos sobre o crime e ele confessou. Alegou que foi legítima defesa, que a vítima teria tentado matá-lo primeiro e que durante uma luta corporal bateu com a cabeça numa pedra. Mas assumiu que queimou o corpo”, disse o diretor.
O CRIME – Itevaldo Barbosa ao ser apresentado para a imprensa inicialmente disse que não falaria sobre o caso. Ao ser indagado se ele havia matado o homem e qual o motivo, o acusado riu e disse que ele (a vítima), foi quem se matou.
O acusado disse que estava em seu “barraco”, numa área de invasão, localizada na área urbana de Campos Novos, quando a vítima teria chegado ao local. Ele disse que mora na localidade desde 2008 e que não conhecia a vítima, que teria dito a ele que ficaria em seu barraco.
“Eu disse que ele não ficaria lá. Ele saiu e voltou com uma corda querendo me matar. Eu conseguir me soltar e peguei um martelo e lhe dei um golpe no quadril e isso o enfraqueceu. Foi quando brigamos e ele bateu a cabeça numa pedra e morreu. Eu não mateia ele” disse o infrator.
Ao ser perguntado pelo fato de ter queimado o corpo da vítima, Itevaldo Barbosa disse que viu a fogueira e como não queria que o corpo “fedesse” no local decidiu queimá-lo.
“Já tinha uma fogueira e eu coloquei o corpo lá, para não feder”, disse ele rindo aos jornalistas. Sobre o fato de usar os restos mortais da vítima como adubo para um canteiro de mudas, Itevaldo Barbosa demonstrou frieza: “Coloquei lá para adubar as plantinhas”.
O diretor do DPJI ressaltou a prontidão da Justiça em deferir a prisão de Itevaldo Barbosa. Na manhã de hoje ele foi submetido a exame de corpo de deleito e encaminhado para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.