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Entendimento

Empresários de Roraima reúnem com a Guarda Nacional em busca de cooperação.


Ações busam paz na fronteira
           
Uma comitiva brasileira formada por empresários do setor de turismo de Roraima, acompanhada pelo presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem-ABAV-RR, Ricardo Peixoto e pelo secretário de estado de Relações Exteriores, Eduardo Ostreicher, esteve reunida com donos de operadoras de viagem venezuelanas, com a presidente da Câmara de Comércio de Santa Elena de Uairén e com autoridades militares, como o comandante da Guarda Nacional do Município de Gran Sabana, Ten. Cel. Quiñones, e o General Fuente Manzule.
 
O encontro aconteceu na sede do comando da Guarda Nacional. O objetivo foi relatar os problemas que ainda persistem na fronteira e buscar soluções rápidas e efetivas. Entre as dificuldades apresentadas pelos empresários brasileiros estão as filas no único posto de combustível que abastece os veículos brasileiros. Para o comando, o problema das filas está associada à quantidade de pampeiros (como são chamados os motoristas de veículos do tipo Pampa)  que abastecem diariamente no posto para revender o produto no Brasil de forma ilegal. 
 
O secretário de Relações Exteriores, Eduardo Ostreicher, disse que é preciso fazer uma operação contra os ilícitos fronteiriços, e que isso também depende da atuação dos órgãos de fiscalização do Brasil. Já os empresários brasileiros propuseram que o posto de combustível fique aberto no período de almoço durante os meses de temporada alta, como no mês de julho, quando muitas famílias brasileiras aproveitam as férias do meio do ano para viajar pelo país vizinho. O comando venezuelano ficou de estudar essa possibilidade.
 
Outros problemas apresentados pelos empresários do setor turístico foram os maus-tratos a brasileiros e a cobrança de propina nas alcabalas. Apesar de a Venezuela ser um país constantemente procurado pelos roraimenses para turismo e compras, as reclamações de maus-tratos por parte de venezuelanos é constante. O comandante da Guarda, coronel Quiñones, teve acesso à página de um grupo no facebook, criada por turistas que visitaram a ilha de Margarita, onde foi publicada a foto de um militar que teria extorquido dinheiro de brasileiros. O Coronel, ao ver a foto e ler os comentários na rede social, se mostrou preocupado e disse que irá apurar a denúncia.
 
Quiñones afirmou ainda que conhece todos os problemas e que está disposto a colaborar com o Brasil para resolver os gargalos que dificultam o desenvolvimento do setor turístico nos dois países. Uma das primeiras ações do governo venezuelano, para dar mais segurança aos brasileiros que viajam para a Venezuela, foi a instalação de placas ao longo da estrada informando os telefones de contato da polícia quando ocorrer acidente ou assalto. 
Dentro do plano de segurança venezuelano também foram criadas nove unidades operacionais conectadas com os comandos regionais espalhados pelo país para dar apoio aos turistas estrangeiros. Um formulário será elaborado, em conjunto com o Brasil, para que o turista informe os telefones de contato, período de permanência no país e outras informações que poderão ajudar em caso de algum incidente.
 
O presidente da ABAV-RR, Ricardo Peixoto, elogiou a iniciativa das autoridades venezuelanas de reunir com os empresários brasileiros e assinalou que estas reuniões trazem resultados positivos, pois cada setor pode colaborar ainda mais com a integração dos dois países e com o desenvolvimento do turismo.
 
A presidente do Boa Vista-Roraima Convention & Visitors Bureau, Airlene Carvalho, disse que o diálogo e a boa vontade dos dois países são importantes para efetivar as ações. Destacou ainda que os maus-tratos a brasileiros prejudicam tanto o comércio turístico da Venezuela quanto do Brasil, pois as  operadoras deixam de vender pacotes aos brasileiros.
 
Durante uma reunião produzida o ano passado, o ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e seu par venezuelano, Rangel Silva, fizeram votos para desenvolver ainda mais os laços bilaterais em matéria defensiva. Mas o ministro Amorim afirmou que esta dimensão de defesa não está suficientemente desenvolvida. O General Fuente Manzule, da Guarda Nacional, disse que levará ao conhecimento do ministro Rangel, todos os relatos e sugestões da comitiva de Roraima para analisar e promover uma maior cooperação na fronteira entre Venezuela e Brasil.

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