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Venezuela

Chico Guerra exige corredor de segurança para proteger brasileiros na Venezuela.


Comissão ouve relato graves
 
“O governo brasileiro não pode mais ficar de costas para esses fatos graves que acontecem na Venezuela. Brasileiros do Norte, sobretudo de Roraima e Amazonas continuam sendo molestados, extorquidos, assaltados, humilhados e mortos e nada é feito. Por isso é preciso que seja criado um corredor de segurança para proteger brasileiros na Venezuela”, foi o que disse na Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, deputado Chico Guerra, durante Audiência Pública.
 
A audiência foi requerida para informar a existências de vários problemas e conhecer as providências que estão sendo tomadas, pelo Ministério das Relações Exteriores, a respeito de denúncias relativas à prática de assaltos e extorsões por parte de membros da Guarda Nacional e do Exército da Venezuela contra turistas brasileiros nas estradas venezuelanas.
 
Chico Guerra relatou que as ocorrências contra brasileiros são antigas, vem desde da década de 1990, onde vários brasileiros eram presos e mau tratados pelo Exército na cidade de Puerto Ayacucho, sob acusação de garimpagem ilegal, mas se avolumaram nos  últimos anos. “Já foram repatriados da Venezuela mais de 900 brasileiros e 20 morreram nos últimos anos. No momento são registrados crimes de toda ordem. O que queremos é a intervenção do Estado Brasileiro, que tome providencia e exija do nosso vizinho medidas que garantam a segurança de todos”, diz Guerra.
 
Antes de debater as questões de fronteira, Chico Guerra fez uma apresentação em Power Point e exibiu um vídeo contendo um histórico bem fundamentado de sua atuação em defesa dos brasileiros. “Não podemos mais permitir que os brasileiros sejam tratados na Venezuela como se fossem turistas de terceira classe. O Brasil tem que tratar os casos de brasileiros no exterior de forma igualitária. Quando mata-se um brasileiro na Europa ou nos Estados Unidos, há uma comoção nacional. Quando um brasileiro é assassinado na Venezuela, o Governo Brasileiro faz vista grossa. Isso tem que ser revisto”, comenta Chico Guerra.
 
O parlamentar pediu que a Câmara dos Deputados intervenha para que os brasileiros tenham um melhor tratamento na Venezuela. “Temos que dar uma sacudida no Itamaraty para que a nossa diplomacia acorde para esta situação”, diz Chico Guerra. Mas Isso só vai mudar, segundo ele, quando o Governo Brasileiro fizer uma intervenção mais efetiva e firme da diplomacia brasileira no sentido de cobrar medidas mais eficazes.
 
Guerra disse que apesar de muitos encontros entre os dois governos, na tentativa de melhorar as relações bilaterais entre os dois países, os casos de extorsão, violência física e psicológica, ameaças, assaltos e intimidações ocorrem com frequência principalmente no trecho da rodovia que corta a Venezuela nos estados de Bolívar e Anzoátegui.
 
“Não se pode mais permitir que as relações de Brasil e Venezuela continuem sendo discutidas entre Caracas e Brasília, Caracas e São Paulo, em gabinetes fechados, quando na fronteira dos dois países, permeia a desordem”, observa o parlamentar.
 
Há décadas, segundo ele, o sul da Venezuela, a região mais pobre daquela pais, é praticamente mantido por brasileiros que se deslocam para Santa Elena de Uairém e ali deixam milhões de dólares todos os meses. “E por quê os brasileiros do norte teimam em ter a Venezuela, sobretudo a Ilha de Margarita como destino para seu lazer, férias e passeios em feriados prolongados?”, questiona o parlamentar.
 
Ele destacou que existem relatos de quem transitou pelo país recentemente, os responsáveis pelas as extorsões são policiais municipais e estaduais ao longo de praticamente toda a estrada. Os pontos críticos são as alcabalas localizadas nas cidades de Upata, São Félix, Puerto Ordaz, El Tigre, Barcelona e Puerto La Cruz.
 
“Incrível, os venezuelanos quando vem ao nosso Estado, Roraima, sua principal porta de entrada por via terrestre para o Brasil, são bem tratados. Nós costumamos recebe-los bem, porque enxergamos nesse intercambio fontes de renda para nosso comércio e ao mesmo tempo um reforço em nosso relacionamento bilateral. Há décadas essa relação se fortalece, pelo menos é o que imaginamos. Mas a Venezuela tem sido ultimamente um pesadelo na vida de que tem o pais vizinho como destino para repouso e lazer”, disse.
 
DEPOIMENTOS
 
Autor do requerimento para a realização da Audiência Pública, o deputado federal amazonense Francisco Praciano (PT), disse que o Itamaraty precisa ser informado dos eventos graves que se verificam no corredor que começa no Estado do Amazonas e se estende por Roraima até o litoral da Venezuela, e que tome providências. “Esses fastos são do conhecimento do governo brasileiro. Depois de ter ouvido esses relatos graves aqui, não tenho nada mais a colocar. Só temos que cobrar providências”.
 
O deputado Márcio Junqueira (PMDB), que presidiu a Audiência, sugeriu que diante dos fatos graves relatados a Câmara tome a iniciativa de exigir do Governo providências para garantir a segurança brasileiros ou decrete o fechamento de sua fronteira para evitar que esta onda de criminalidade continue. “Cabe ao Brasil defender seus cidadãos no exterior. A situação é muito grave. Todos sabemos o que passa do outro lado da fronteira. As autoridades brasileiras sabem de tudo isso, mas continuam de braços cruzados. E nós, como representantes do nosso povo, nãos podemos ficar calados. O assunto merece uma atenção especial e rigorosa”.
 
O deputado federal Édio Lopes (PMDB) denunciou que recentemente foi alvo de humilhação, ele e toda sua família, por soldados da Guarda Nacional, quando voltava de viagem da Ilha de Margarita. “Eu fiz uma jura de que nunca mais botaria os pés na Venezuela. E estou cumprindo”, disse Édio.
 
Irritado com os fatos permanentes que acontecem contra brasileiros na Venezuela, Édio disse que a culpa é da chancelaria do Brasil que não age. “Nossa diplomacia sabe de tudo o que acontece, mas nada é feito. São verdadeiros achaques, uma corrupção institucionalizada. Nós não podemos mais aceitar isso. Exigimos respeito. E o governo brasileiro é culpado por tudo isso, porque está adormecido enquanto somos molestados todos os dias”.
 
Édio disse que seu sentimento é de repúdio, de repulsa. Segundo ele o governo brasileiro é culpado por tudo isso. Ao final de sua participação na Audiência Pública, Édio propôs aos deputados que seja feita uma campanha no Amazonas e Roraima para turistas dos dois estados não viagem para a Venezuela nas férias escolares e de final de ano, neste ano 2013.
 
 
O deputado federal Raul Lima (PSD), que tem naturalidade venezuelana, fez um relato da situação de dificuldade econômica que passa a Venezuela atualmente, por isso tem ocorrido tantas tragédias envolvendo brasileiros que são atacados por bandidos e por integrantes da força de segurança do país.
 
Raul deixou a todos estarrecidos ao dizer “que a corrupção está oficializada na Venezuela e quem mais sofre com isso são os brasileiros”. O parlamentar questionou ainda o fato de o Brasil per avalizado a entrada da Venezuela no Mercosul.
 
O deputado estadual amazonense, Abdala Fraxe, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, disse há relatos aterradores sobre o tratamento que é dado aos brasileiros na Venezuela, sobre tudo o acontece em relação às mulheres. “A Polícia da Venezuela e a Guarda Nacional são absolutamente despreparadas para lidar com os turistas brasileiros, que hoje representam uma grande fonte de arrecadação para o Governo da Venezuela, principalmente para o Estado Nueva Esparta, onde está a ilha de Margarita”, observa ele.
 
COM JARBAS VASCONCELOS
 
O deputado Chico Guerra esteve ainda com o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB), vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado onde aproveitou a ocasião para relatar a situação e entregar um documento em que fatos graves contra brasileiros na Venezuela são anotados.
 
Chico aproveitou para apelar ao senador no sentido de que o Senado assuma também alguma responsabilidade mais especificamente para cobrar dos governos do Brasil e da Venezuela, suporte de segurança para que se acabe com essa onda de violência  contra brasileiros. O senador se comprometeu que vai estudar a questão e se  pronunciará posteriormente para anunciar de que o forma o Senado vai atuar nesse caso.

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