Cirurgias evitam gastos
O mutirão de catarata complicada realizado evitou 22 pacientes saírem em TFD (Tratamento Fora de Domicilio), uma viagem que carrega consigo muitos incômodos e despesas ao paciente. Dezoito pacientes adultos encaminhados pela Secretaria Estadual de Saúde foram operados ontem, quinta-feira, 23. E hoje, 24, mais quatro crianças, que são de responsabilidade do Hospital da Criança. Todas as cirurgias tiveram êxitos, sem complicação e foram realizadas pela clínica conveniada ao SUS, a Oculistas Associados, com o apoio de um profissional da Fundação Altino Ventura.
A catarata é uma doença degenerativa que consiste na opacidade do cristalino, conhecido como menina dos olhos. O cristalino trabalha como uma lente que ajuda a tornar a imagem nítida. Esta limitação deforma e, por fim, impede, portanto, a formação da imagem no olho. Quando o cristalino fica totalmente embaçado, a cegueira é iminente.
O cirurgião oftalmológico, Amarildo Rodrigues Melo, que esteve nas cirurgias do mutirão, esclareceu que as cirurgias conhecidas como complicadas requerem acompanhamento de um reumatologista, visto que os riscos de errado são quase 100%, e, caso alguma complicação ocorra, a pessoa deve ser encaminhada imediatamente a uma unidade de referência. “Por isso, que não são feitas em Roraima, devido à importância desse profissional durante o procedimento. O lugar de referência é em Recife. Porém, a equipe médica local realiza outros tipos de cirurgia de catarata”, ressaltou.
Alguns pacientes atendidos pelo mutirão apresentavam problemas como alta miopia, córnea butatta (fraca), catarata congênita, entre outros casos. O procedimento tem a duração de 22 minutos. Passado o efeito da anestesia o paciente é liberado para casa. Já o pós-operatório que também faz parte do serviço do SUS, é realizado o acompanhamento médico por 30 dias, o tempo que leva para o paciente receber a alta.
O mutirão contou com parceiros. Conforme a Édila Cordeiro, da clínica Oculistas Associados, os problemas de visão dos pacientes que teriam de receber TFD foram resolvidos em Boa Vista, devido a sensibilização dos diretores da Fundação Altino Ventura, do Recife. “O especialista na área de catarata de Recife, Wagner Lira, foi enviado especialmente para atender no mutirão. Assim, agilizou a prestação dos serviços, bem como economia aos pacientes em gastos e transtorno de locomoção, distanciamento dos familiares”, ressaltou.
Édila mencionou que a parceria com a Sesau, possibilita todo mês a clínica realizar entre 60 e 80 cirurgias de catarata senil, que atinge pessoas a partir de 50 anos. “Esse tipo cegueira é a mais comum para essa idade, e com a cirurgia é capaz de o paciente ter a visão ao paciente”, mencionou.
EXPECTATIVA
Bastante ansiosa e com grande expectativa, a mãe Rosely Pereira, que aguardava o fim do procedimento da filha Valéria, de 8 anos, contou que a doença ocorreu desde o nascimento, sendo uma catarata congênita. “Há mais de um ano esperava pela cirurgia que podia ser feita fora do estado. Fiquei feliz quando recebi a notícia que ela seria operada hoje [sexta]”.
Ela acrescentou ainda, da facilidade e rapidez. “Uma delas, no meu trabalho, pois são rígidos quanto a faltar por longos dias. Outra coisa é contar com a ajuda da minha mãe e irmã durante a recuperação da minha filhinha”, sorriu.
Além de Rosely, mais uma pessoa aguardava o término da cirurgia na manhã desta sexta (24), no corredor do Centro Cirúrgico do Hospital da Unimed, local que ocorreu de forma voluntária as cirurgias.