Vigilância de óbitos
Durante reunião do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, que ocorreu na manhã desta quarta-feira, 22, foi proposto pela apoiadora técnica do Ministério da Saúde (MS), Benta Lopes, a realização do seminário sobre a vigilância do óbito materno e infantil. A intenção é melhorar a cobertura e a qualidade das informações sobre casos de mortalidades e, sobretudo, discutir sobre os principais fatores que influenciam na vigilância do óbito. Houve consenso na aprovação da proposta.
A data prevista para acontecer o seminário seria nos dias, 18 e 19 de junho. O evento será conduzido pelo Comitê Estadual Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, pelas Redes de Atenção à Saúde Integral (Cegonha, Psicossocial e Urgência e Emergência) e pelo Comitê de Investigação de Óbito.
Ao final do seminário, todos os municípios terão a missão de produzir um plano de trabalho com foco a melhorar a qualidade da investigação, o envolvimento das equipes de saúde da família. É considerada morte materna quando ocorre durante a gravidez, no parto ou até 42 dias após o fim da gestação devido a fatores relacionados ou agravados pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela.
Segundo Benta, os participantes serão gestores, secretário de saúde, técnicos e Comitês de Prevenção das mortalidades dos 14 municípios e capital. O convite inicial deve ocorrer na reunião da CIB (Comissão Intergestores Bipartite), que acontece na tarde desta quarta-feira.
Benta explicou que o seminário objetiva o fortalecimento técnico dos espaços de investigação do óbito materno, infantil e fetal. “Os comitês estaduais e municipais serão convidados, juntamente, com as redes de atenção à saúde promover o fortalecimento do papel e da função dos comitês de investigações”, ressaltou.
Ela destacou também, que como há municípios sem comitês de prevenção instituídos, o seminário vem na ideia de fortalecer a implantação e estruturação desses comitês e a institucionalização da vigilância do óbito materno. Uma exigência prevista na Portaria MS/GM nº 1.119/2008.
“Será o momento para fomentar a instituição desses espaços de vigilância de óbito em cada munícipio do estado, nos lugares que não tem será para dar potencia e condições de acompanhar muito de perto a questão dos óbitos com o único objetivo de reduzir o número de casos”, comentou a técnica do MS.
98% dos óbitos podem ser evitáveis, diz técnica
A meta da redução da mortalidade materna no Brasil é de 5,5%, o que representa valor igual ou inferior a 35 óbitos maternos por grupo de 100 mil nascidos vivos. Questionada sobre isso, Benta Lopes diz que existe questões que preponderam o atual modelo de assistência à mulher e a criança no país.
Ela analisou que se 98% dos óbitos maternos são evitáveis, alguma coisa precisa ser revista. Ainda citou algumas possibilidades que pode ocorrer durante a gravidez. “É a mulher que deixa de fazer as sete consultas no pré-natal. Talvez à mulher no seu pré-natal, não foi detectado uma infecção de urina, não foi detectado uma sífilis, excesso de peso, problemas cardíacos. Enfim, a atenção básica é a alma do trabalho a ser feito também para que essa redução aconteça”, avaliou, lembrando que a qualificação dos profissionais é de suma importância.