Hospital alimenta índias
Para melhor atender a população indígena dentro do Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN), os profissionais de saúde oferecem um atendimento que procura respeitar de forma integral cada etnia que chega à unidade. A proposta é levar em conta todo o processo cultural existente. Um desses caminhos de valorização é na alimentação e nutrição das indígenas grávidas.
O Trabalho da equipe composta por cinco nutricionistas do setor de Nutrição e Dietética é oferecer uma refeição balanceada, rica em proteínas e vitaminas. Os alimentos que as indígenas rejeitam são comidas com sal, açúcar, legumes e hortaliças, sopa, e entre outros tipos. Portanto, esses tipos são cortados das refeições.
Segundo a nutricionista Kelly Level, coordenadora do setor, as refeições que chegam à unidade são diferenciadas, contém arroz, farinha grossa, peixe, macaxeira, ovo e banana. “As etnias Yanomami e Wapichana são as mais resistentes a aceitar mudanças. Elas preferem alimentos brancos”, disse.
Kely frisou que o compromisso de uma nutricionista é manter o estado nutricional de um paciente, e em se tratando de um indígena, a maioria chega à unidade desnutridas, sem presença de algumas vitaminas importantes, como complexo B. “Avaliando pelo lado nutricional, a alimentação dos índios é deficiente, pois elas já chegam muito debilitadas. Durante a estada na unidade procuramos reverter o quadro sem agredir suas convicções”, comentou.
A nutricionista mencionou que é feito um trabalho de orientação sobre a importância de ingerir alguns alimentos de outras cores. O contato é feito por intermédio da Coordenação Indígena que mantem um tradutor, que facilita a comunicação entre paciente e profissional de saúde. “A ideia é explicar sobre os benefícios para uma vida mais saudável, porém sem querer inserir alimentos ricos em vitamina à força”, avaliou.
Kelly lembrou que houve casos de elas, por livre espontânea vontade, experimentarem a alimentação que é distribuída as outras pacientes. “Não sei se existe, mas deveria ter programas para dar seguimento ao quadro nutricional ao sair da maternidade, o nosso trabalho é com elas dentro da maternidade”, comentou.
AMIGA DO ÍNDIO
Outra novidade é que a unidade está buscando junto ao Ministério da Saúde se tornar Hospital Amigo do Índio, conforme Portaria MS 1062, de quatro de julho de 2005. Umas das propostas de início é a instalação de enfermarias e banheiros adaptados. A única Maternidade a manter uma Coordenação Indígena no Norte já proporciona armadores de redes em três enfermarias, o que oferece uma melhor estada em um ambiente hospitalar.