O Estado vai ampliar a investigação do teste do pezinho para detectar mais doenças raras precocemente. A cobertura atual é de 60% em toda a região. Das 27 unidades de saúde que realizam o exame, somente em Boa Vista são 18 unidades, sendo 17 postos de saúde e um no Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN).
Representantes da saúde do Estado e da capital estiveram reunidos na segunda-feira, 15, na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), para concluir o credenciamento e habilitação junto ao Ministério da Saúde (MS). O objetivo do encontro é garantir que a mudança ocorra em todos os serviços de referências em triagem neonatal no estado.
O primeiro passo é mudar da fase I para a fase II. Com isso, mais doenças congênitas poderão ser diagnósticas e acompanhadas. Ao todo, são quatro fases existentes. As doenças congênitas são: fenilcetonúria, hipotireoidismo, doenças falciformes e outras hemoglobinopatias. Todas referentes a problemas inatos do metabolismo.
De acordo com Ana Carolina Brito, diretora-geral do HMI, um grupo técnico para agilizar documentações e ações para mudança de fase foi instituído ao final da reunião. “Na prática, o nosso trabalho já pode ser visto como fase dois, porém só oficializaremos junto ao MS”, explicou.
A diretora mencionou que a reunião também debateu a criação da rede de captação [apoio] para manter o acompanhamento clínico das crianças, além da viabilidade de um laboratório especializado no estado. “Sendo fase II, poderemos receber mais kits para o fluxo, além de receber incentivo do MS para dar suporte a toda essa ampliação de acesso”, comentou.
O recomendável é quanto mais cedo feito o exame, melhor para o bebê, pois pode ser tratado o quanto antes, caso apresente alguma alteração. São sequelas permanentes que ficam no bebê, como distúrbios do metabolismo, retardo mentais, doenças irreversíveis do sangue, entre outros casos. O exame deve ser feito depois de 48h a 30 dias de vida do bebê, já amamentado.
A diretora do HMI diz que o teste, uma furada no pezinho do bebê, é feito no estado. Depois, a amostra é enviada ao laboratório de referência em Campo Grande para análise. O resultado sai em média de 40 a 50 dias. “São feitos 350 testes por mês. Os pais precisam retornar à unidade para buscar o resultado do exame, para saber como prosseguir seja com tratamento ou acompanhamento de um profissional”, alertou Ana, lembrando que na unidade centenas de resultados acumulam desde 2005.