Projeto Eco-Estado
O governador José de Anchieta e o vice-prefeito de Boa Vista, Marcelo Moreira, se reuniram na noite dessa segunda-feira (8), no Palácio Senador Hélio Campos, com representantes da classe produtiva de Roraima, com a finalidade de apresentar o Projeto Eco-Estado.
Acompanhados do astronauta Marcos Pontes e da equipe de secretários e de assessores, os gestores expuseram as ações a serem executadas em Roraima por meio do Projeto Eco-Estado, explicando os conceitos de desenvolvimento propostos pelo Projeto e a relação entre o Governo do Estado e a Fundação Marcos Pontes.
Anchieta iniciou sua fala desmitificando o que classificou de teorias, suposições e distorções ditas sobre a função do Projeto em Roraima. “O Eco-Estado é um Projeto que reúne diversos outros já executados pelo mundo e trará o que há de mais moderno e eficiente em matéria de desenvolvimento sustentável. O Projeto não tem vínculo com nenhuma entidade ou governo de outros países; é realizado por uma fundação brasileira que tem acesso a Organização das Nações Unidas [ONU]”, disse o governador.
O governador explicou que a escolha de Roraima ocorreu, sobretudo, pelo estágio de desenvolvimento em que o estado se encontra. “Eles poderiam ter ido para outro lugar, mas escolheram Roraima, em parte pela amizade que temos em conjunto com o vice-governador Chico Rodrigues. Outro ponto importante é que o estado demandará um investimento menor para mudar as estruturas econômicas, em detrimento de outros grandes entes federativos”, ressaltou.
Ao se referir às críticas sobre o Projeto, o governador destacou a seriedade do trabalho da Fundação Marcos Pontes. “A credibilidade do Marcos Pontes é internacional. Ele não viria aqui brincar com Roraima. É com base nisso que construiremos a parceria com a Fundação Marcos Pontes. Se fosse algo que não nos interessasse, não teria razão em dar prosseguimento”, disse.
POR QUE ESCOLHER RORAIMA - Marcos Pontes disse que visitou vários lugares antes de Roraima e aqui encontrou o melhor cenário para o Projeto Eco-Estado. “Em minha primeira convenção mundial, como embaixador da Unido [Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial], assisti a várias apresentações de ecocidades pelo planeta. Interessei-me e propus ao diretor-geral da Unido, Kandeh Yumkella, um local onde pudéssemos integrar todos esses projetos. Disse ter interesse em fazer isso no Brasil, pois o País vive um bom momento econômico e tem um nome forte que é a Amazônia. Visitamos alguns estados da região e escolhemos Roraima”, afirmou.
“Sabemos que não adianta fazer preservação, se o homem não tiver emprego, educação e qualidade de vida. Quando falamos de sustentabilidade, temos a errônea ideia de pensar somente na preservação, o que é importantíssimo, mas temos que ter também o crescimento econômico e social. Muitas pessoas me disseram que em Roraima há cenários como reservas ambientais e áreas indígenas e talvez não seja um bom lugar para esse tipo de projeto. Errado. Este é o lugar e essas são as dificuldades”, explicou Marcos Pontes.
GOVERNO E FUNDAÇÃO MARCOS PONTES – Segundo o embaixador da Unido, esse é um projeto que deve ser feito em conjunto. Não haverá decisões unilaterais. Haverá representantes da classe produtiva e da sociedade organizada, um conselho curador em que será decidido o que deve ser feito e onde. “Não estamos em Roraima para ensinar ninguém a fazer seu trabalho. Queremos ajudar, colocando a ideia de desenvolvimento sustentável no planejamento para agregar na produção. Se eu fosse um empresário estaria preocupado em como fazer parte deste processo, como ocorre em muitos lugares que visito”, disse.
O governador disse que um dos principais pontos da parceria com a Fundação Marcos Pontes é a projeção do nome Roraima internacionalmente. “Como governador não teria condições de levar nossas potencialidades pelo mundo, é difícil. O Marcos Pontes é muito conhecido no exterior e será nosso contato. Temos interesse em ajudar na construção deste Projeto, que está ligado a instituições de alta credibilidade no mundo, e acreditamos que trará bons frutos para o estado e para nossa gente”, afirmou Anchieta.
Questionado sobre as exigências de cumprimento da legislação nacional e de demandas prováveis de instituições internacionais por parte da classe produtora, para adequação ao padrão de desenvolvimento sustentável previsto no Projeto, Marcos Pontes disse que a Fundação não tem poder de exigir nada.
Segundo ele, o Eco-Estado é um projeto de assessoria. “O que podemos fazer é ajudar a transformar um processo de produção que já exista em outro país, para um modelo conversado em conjunto, um projeto que se encaixe nas demandas de Roraima, não terá cabimento no projeto a exigência de nada. Essa não é a nossa proposta”, explicou.
O governador complementou, dizendo que o Projeto não interfere na legislação, Por isso não terá poder de exigir, somente de assessorar. “A lei já existe e a Fundação está dentro dela, a presença do Marcos Pontes é de ordem empresarial. Por exemplo, há um projeto dentro da Unido que aumente a produção de arroz, divulgaremos aos produtores e vai aderir quem quiser. Quem não desejar não tem problema, é democrático. O povo de Roraima é que dirá o que aceitar ou não”, afirmou.
De acordo com Marcos Pontes, o Projeto tem duas vertentes: planejamento estratégico assessorando os municípios e as empresas e implantação de projetos- piloto. Tudo isso coordenado pela Fundação. Ele ressaltou que vai montar um escritório em Roraima, com um representante que vai interagir com o conselho curador. Após cinco anos, segundo ele, será criado um centro de inteligência para coletar estas informações e aplicar em outros lugares do mundo.
DOCUMENTÁRIO – Marcos Pontes está de 5 a 11 de abril em Roraima para gravação de um documentário a ser exibido no Fórum Mundial de Energia, que ocorre em maio, em Viena, Áustria. Nesta terça-feira (9) e na quarta-feira (10), a equipe está gravando nos municípios de Rorainópolis e Caracaraí.