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Consciência negra

Ângela Portela lembra a existência de racismo velado na sociedade brasileira.


Ângela critica racismo
 
A passagem do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi lembrada pela senadora Ângela Portela (PT) em plenário. Em seu pronunciamento, ela ressaltou a existência do racismo ainda velado na sociedade brasileira e que responde por todo tipo de discriminação e de violência praticadas contra o negro.
 
A parlamentar fez um histórico acerca da data e falou da contribuição da cultura africana na religião, vida social e cultural, gastronomia e política, e lamentou o número insuficiente de ações para dar fim a atos de racismo. “Em contrapartida a toda esta contribuição histórica, econômica e cultural, nós temos sim, uma dívida social muito grande com a raça negra. Ações existem, é claro, mas ainda são insuficientes”, comentou.
 
Ela afirmou que, no âmbito do governo federal, com a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, os governos do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff, adotaram ações afirmativas como forma de reconhecimento às lutas históricas do movimento negro brasileiro. A senadora também citou a política de ação afirmativa, conhecida por Lei de Cotas, (12.711, de 29 de agosto de 2012) regulamentada pelo Decreto 7.824, de 11 de outubro de 2012, garante percentuais mínimos de vagas em universidades federais e instituições federais de ensino técnico e de nível médio para estudantes pretos, pardos, indígenas e de famílias de rendas menores egressos das escolas públicas de nosso país.

Ângela também destacou a aprovação da Lei 12.288 de 2010, pelo Congresso Nacional, que criou o Estatuto da Igualdade Racial. “Este instrumento direcionou o Plano Plurianual (PPA 2012-2015) e resultou na criação do programa Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial”, salientou.
 
A senadora citou ações no âmbito do Governo Federal voltadas à população negra e que integram o Programa Brasil Quilombola (PBQ), mas admitiu serem ainda pouco “diante da dívida social e histórica que a nação tem sobre seus ombros, diante da violência secular praticada contra os negros”.
 
Ela encerrou seu pronunciamento citando Joaquim Nabuco, um abolicionista que, ao entrar para a Câmara Federal, trouxe para a cena política nacional, a campanha pelo Abolicionismo. “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil. Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte... É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte”. Segundo a parlamentar, as palavras de Nabuco, ainda prevalecem no cenário brasileiro. “Mas alimento o sonho de ver um tempo curto para o racismo velado e cruel que, infelizmente, ainda existe em nossa sociedade”, finalizou.

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