- 05 de janeiro de 2026
Hidrelétrica já preocupa
No último final de semana, integrantes do movimento socioambiental Puraké estiveram reunidos com cerca de 15 lideranças de agricultores e pescadores da Vila de Vista Alegre e Caracaraí com objetivo de esclarecer pontos controversos a respeito dos impactos ocasionados pela possível construção da hidrelétrica nas corredeiras do Bem Querer.
Entre as dúvidas levantadas pelos ribeirinhos e pescadores durante a reunião está a dimensão do reservatório e os impactos sociais nas famílias dos nove mil pescadores registrados em Roraima.
Segundo eles, ninguém até agora os procurou para conversar a respeito da obra. Para o presidente da Associação de Pescadores e Agricultores de Vista Alegre Manoel do Carmo, o número divulgado pelos deputados de famílias atingidas não condiz com a realidade. “Não são só doze famílias que precisam desse rio não, são milhares e milhares de famílias. Só na Associação de Pescadores de Vista Alegre nós temos 230 pescadores cadastrados que dependem do rio, suas famílias e filhos também. Nós queremos que esse rio fique como está porque ele é uma benção de Deus, é o nosso patrimônio”, frisou.
O proprietário do restaurante que fica num sítio às margens das corredeiras do Bem Querer, Alfredo Cruz, mora há 40 anos na região e disse que o estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) foi feito de maneira superficial e que os impactos serão grandes.
“Os técnicos paravam aqui para fazer os estudos, mas passavam meia hora no rio voltavam e iam embora. Tudo muito rápido, quando falei com um dos técnicos sobre a situação de alagamento na época de cheia, ele confirmou que tudo será alagado e ainda falou que não sabe o porquê que estavam insistindo com essa obra”. Segundo o empresário, “na beira desse rio tem várias fazendas grandes que também serão inundadas, precisamos nos unir para que isso não aconteça”,
O Movimento Puraké é formado por um grupo de pessoas preocupadas com as questões socioambientais. O objetivo é favorecer a participação da sociedade no debate sobre o futuro de Roraima, através da divulgação de informações e da abertura de espaços para o diálogo, em busca de um futuro com justiça social, ambiental e econômica.
No dia 30 de novembro, o Movimento Puraké vai lançar a campanha em defesa do Rio Branco, em frente ao restaurante Marina Meu Caso, no final da Avenida Santos Dumont, a partir das 17h30.