- 05 de janeiro de 2026
Venezuela não vê sinais de mortes
CARACAS - O Governo venezuelano informou no último sábado, 2, que não se encontrou evidência do massacre de 80 indígenas da etnia ianomâmi em uma área de selva na fronteira com o Brasil, denunciada por ONGs e um deputado opositor.
80 índios morrem na fronteira do Brasil com a Venezuela
"Após estas visitas que realizamos nas comunidades indígenas, podemos dizer ao país que não foi encontrada evidência de nenhuma morte ou não se encontrou evidência de casa ou "shabono" (cabana indígena) incendiada nestas comunidades assinaladas como cenário deste suposto crime", disse ao canal do Estado a ministra para os Povos Indígenas, Nicia Maldonado.
A ministra lembrou que "diante das denúncias" recebidas, o Estado venezuelano fez uma "visita às comunidades ianomâmis" com uma comissão de fiscais, policiais de investigação e militares, como informou na sexta-feira o ministro do Interior Tareck el Aissami.
A Procuradoria Geral designou esta semana uma comissão especial para verificar os fatos, após receber na segunda-feira uma denúncia da organização pró-indígena Horonami, segundo a qual 80 ianomâmis morreram no dia 5 de julho após um suposto ataque de um helicóptero.
O deputado opositor Andrés Avelino Álvarez, da Comissão de Povos Indígenas, disse que apenas três integrantes da comunidade Irotatheri, no município Alto Orinoco, sobreviveram ao massacre feito pelos ocupantes de um helicóptero com "identificação brasileira".
No último dia 29, o secretário de Assuntos Indígenas do Governo de Amazonas, Hilario Linares, declarou que três sobreviventes da tragédia, que estavam naquele momento caçando, relataram que um helicóptero sobrevoava um "shabono", onde estavam os habitantes, e "escutaram" os disparos.
O ataque
O ataque, de acordo com os relatos, ocorreu há cerca de dois meses, na comunidade de Irothatheri, localizada nas proximidades do território brasileiro.
Testemunhas que estiveram no local da matança afirmaram que mineiros brasileiros atearam fogo a uma casa comunal dos indígenas, pois encontraram os corpos dos ianomâmis carbonizados ao passar pela tribo. Membros da comunidade indígena têm reclamado de mineiros invadindo suas terras à busca de ouro.
Segundo a ONG Survival International, a demora na descoberta do massacre ocorreu em virtude da remota localização da tribo atacada. A entidade afirmou que as pessoas que descobriram os corpos levaram vários dias para caminhar até a localidade mais próxima.
Garimpeiros
A presença de garimpeiros em terras ianomâmi, que abrange territórios do Sul da Venezuela e do Norte do Brasil, é um dos mais graves problemas enfrentados pelos indígenas, que ainda são considerados um grupo isolado pela Funai. Criada em 1992, a reserva tem 96,6 quilômetros quadrados de extensão, abriga cerca de 20 mil índios e é rica em minérios. A atividade ilegal provoca sérios danos ambientais, como a contaminação dos rios pelo mercúrio, utilizado na extração do ouro.