O que podemos fazer?
Há uma notória ansiedade nas pessoas quando elas almejam o poder. Seus hábitos e costumes se transformam, suas atitudes se diversificam, mas seus relacionamentos com o próximo se deploram. “se quiser por à prova o caráter de um homem dê-lhe o poder”. A frase foi dita apor Abraham Lincoln (16º presidente dos Estados Unidos).
Estamos no início de mudanças profundas na vida dos roraimenses, com o advento de mais uma batalha eleitoral pelo domínio das prefeituras, e o que vemos são preleções de grupos políticos que se julgam donos do direito das pessoas, que na verdade vão escolher os futuros mandatários.
Eu não vi e tampouco li ainda sobre uma única reunião dos pretensos candidatos com o povo, ou seus representantes, para definir algum plano de ação para melhorar a vida das pessoas que moram em Boa Vista ou nos demais municípios de Roraima, mas tudo conversado entre eles, absolutos naquela opinião formada de que o voto se trata apenas de uma mercadoria. O que está em jogo, parece ser, não é o que tenho a dar, mas a receber.
Os candidatos existem, todos legalmente habilitados ao pleito. Cada um deles com sua própria qualificação e identidade moral. Contudo todos armazenados nas pretensões coletivas e promocionais. Há um clamor popular que urge em caráter de emergência, para o surgimento de alguém que se prontifique a assumir o comando da politica local, diante do caos que se instalou na capital de Roraima, deixando os munícipes a deriva.
Desde a eleição do primeiro mandatário de Boa Vista (Silvio Leite), escolhido pelo voto direito em 1985, não se via tanta precariedade. Outros sucessores empreenderam tipos diversos de comportamentos administrativos, quase todos falidos. Houve um progresso iminente quando Boa Vista foi administrada pelo ex-governador Ottomar Pinto, o homem das obras sociais, focadas na valorização do ser humano. Mais 12 anos sob a tutela da agora deputada federal Teresa Surita (ex Jucá), que repaginou o município, atribuindo um novo padronizado de governar, enfatizado na visibilidade extrema.
Teresa asfaltou ruas em bairros inteiros, construiu parques, praças, complexos esportivos, escolas, ajardinou e calçou avenidas importantes, instalou iluminação moderna, praticamente humanizou a cidade. Mas o esforço parece ter sido em vão porque sucumbiu, não houve consistência na administração do sucessor.
O tempo entre Silvio Leite e Barac Bento, praticamente não conta. Assim como o meu passado, não serve como referência. Assim como a própria administração de Barac, caiu no esquecimento. Então de Tereza aos dias de hoje passando por Ottomar, o conteúdo político administrativo oferta alguma matéria prima para análise. Mas pelo introito que podemos obter, fica evidente a inexistência de contumácia, porque tudo praticamente está desfeito ou pouco se sustentou nesses poucos anos que separam Tereza da atual administração.
Boa Vista precisa voltar a sonhar com o plano diretor anterior, em que as práticas administrativas não sejam tão raras como hoje. Lembro-me de vários debates que tive com o ex-vereador, ex-deputado estadual, ex-presidente da Emhur, Ottoniel Ferreira de Souza. Ardoroso apaixonado por Boa Vista, ele sempre disse e diz: “Boa Vista carece de um prefeito com alma, que pense nas pessoas”. Uma filosofia absolutamente estável, porém imprópria do ponto de vista político porque todos os prefeitos, sem exceção, não vislumbraram isso ainda.
Parece que Boa Vista sempre serviu de ponte para outros desejos pessoais. Estamos diante de um quadro agudo em que um simples voto nosso em outubro vindouro determinará o póstumo tempo dos que mandarão por aqui na próxima década. Por isso a importância de sabermos em que devotarmos a nossa decisão nas urnas, quando a eleição chegar.
Ai estão os postulantes, Tereza Surita, Raul Lima, Raul Prudente, Alex Ladislau, Telmário Mota, Paulo Linhares, Mecias de Jesus, e quem mais aparecer, certamente um cidadão roraimense (macuxi ou por opção) beneficiário da generosa hospitalidade local, do dadivoso costume boa-vistense que sempre esteve de braços para receber a todos.
Ao que cabe a cada um deles, tirar do seu amor próprio algo que possa retinir no asfalto, nas valas mal cuidadas, na escuridão, na escola, no atendimento médico, na assistência social, enfim, em tudo que está intrínseco ao dever do administrador politico.
Escrevo isto sem a menor carga de indignação ou sentimento repulsivo, mas demonstrando toda preocupação de quem deseja o bem estar dos demais, de um paraibano, do interior do nordeste, que aqui vive há quase três décadas.
Voltando a frase do Abraham Lincoln, de fato trata-se de um aforismo verdadeiro, afinal de contas, se por acaso, um mendigo ganhasse uma fortuna de modo repentino, certamente e por tudo o que já passou, gostaria que os outros padecessem da mesma situação.
Acredito que as pessoas são capazes de mudar da agua de ribeiro , para o mais puro vinho. Porém, se prevalecer o interesse puramente particular, subjetivo ou negocial, Boa Vista tende a passar pois mais momentos de agonia, angústia e aflição. E finalizo dizendo o seguinte: “só tem direito de criticar aquele que pretende ajudar”.