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Incitação ao crime

Deputados repudiam ataques contra Aurelina


Deputados repudiam
ataques contra Aurelina 


Comentários anônimos feitos no blog da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares (APBM), atacando e ameaçando familiares e a vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputada Aurelina Medeiros (PSDB), causou manifestações de repúdio dos parlamentares na manhã desta terça-feira, (8). O ataque se deu após aprovação dos vetos governamentais ao Estatuto dos Militares, em abril.  

O primeiro a se manifestar foi o deputado coronel Gerson Chagas (PRTB), que disse estar preocupado com o teor dos comentários feitos no blog mantido pela associação dos policiais militares. “Esse post, de forma anônima, não reflete o pensamento dos policiais e bombeiros militares”, defende o parlamentar e acrescenta: “Eu, por ser um PM, por conhecer os integrantes da corporação, não poderia de forma nenhuma permanecer em silêncio”.

Chagas fez questão de relembrar os avanços da Polícia Militar ao longo desses 20 anos no que se refere às melhorias salariais alcançadas pela corporação. Um deles foi a briga travada com o governo para aumentar os vencimentos de R$ 700 para R$ 1,4 mil. “Não conseguimos por meio de ataques, mas sim com negociações”, frisa o deputado.

Outra conquista recente da classe, disse Chagas, foi a aprovação da promoção de 29,6 anos de serviço para os policiais e bombeiros militares, que teve apoio irrestrito da deputada Aurelina Medeiros, responsável por negociar com o governo o envio do projeto para ser votado pela Assembleia Legislativa.

Jalser Renier (DEM) lamentou o episódio e fez duras críticas aos comentários, postados dia 13 de abril e mantido até o último dia 2 pelo blog da associação dos militares, quando veio a público no site Fontebrasil. Os responsáveis pelos  post  são, para o deputado, “pessoas que não têm preparo psicológico”.

O peemedebista Rodrigo Jucá se solidarizou com Aurelina e disse esperar uma reação “mais enérgica da Casa” diante do fato ocorrido. “O deputado Soldado Sampaio, que é vinculado e parceiro da associação, deve se posicionar firme contra aquilo que foi dito”, cobra Rodrigo.

O corregedor da Assembleia Legislativa, deputado Erci de Moraes (PPS), disse ter ficado “estarrecido”, demonstrando total apoio da corregedoria à colega. Ele cobrou da Casa menção de desagravo a favor de Aurelina. “As pessoas podem concordar ou discordar de qualquer posicionamento, mas jamais perder o respeito, jamais atingir a honra e integridade de uma pessoa”, criticou Flamarion Vasconcelos (PTC).

A petista Ângela Portela avaliou que o comentário do “anônimo” ofendeu não só a família, mas a parlamentar Aurelina. Fato que, na opinião de Joaquim Ruiz (PV), “é uma agressão ao parlamento, à democracia, à liberdade de expressão”.

“Sei da sua luta como mulher, como mãe, como funcionária pública deste Estado. Fico muito triste. Lamento em nome de todas as mulheres desta Casa Legislativa a forma covarde que esse ‘anônimo’ fez nos comentários”, declara Mecias de Jesus (PRB). Da mesma forma, Chicão da Silveira (PDT) se posicionou indignado, sobretudo por ter acompanhado o esforço da vice-presidente da Assembleia durante aprovação do Estatuto dos Militares.

O presidente da Assembleia Legislativa, Chico Guerra, assegurou que providências estão sendo tomadas contra o blog dos militares.

"Não nasci para morrer de medo"
Após ouvir os colegas deputados, a vice-presidente da Assembleia Legislativa fez um desabafo. Ao reler o comentário do “anônimo”, Aurelina Medeiros, por algumas vezes, conteve as lágrimas e embargou a voz.

O post, em um dos trechos, convoca PMs que fazem patrulhamento de rua “a cair de pau nos familiares” da parlamentar. Aurelina é mãe de quatro filhos, avó de três netos – quatro de seus oito irmãos moram em Boa Vista.

“Quero dizer que sou durona, mas choro. Digo sempre: não nasci para morrer de medo. Posso até ser vítima de uma bala nas costas”, desabafa. “Gostaria de fazer um apelo ao comandante da PM e do Corpo de Bombeiros para que nos ajude a continuar respeitando a PM, que zelem pelos meus filhos”, pede emocionada.

Aurelina disse não acreditar que o comentário tenha partido de um policial militar, sobretudo de alguém que acompanhe os trabalhos do Legislativo que tem lutado para garantir aumentos salariais e promoções aos militares do Estado de Roraima. “Quem me conhece nesta Casa sabe que fui relatora de lei que dispõe sobre a carreira da PM, em 2001 [Lei Complementar (LC) 022, que trata da carreira, remuneração e quadro de organização do efetivo da Polícia Militar, transformada em LC 051]”, explica ao falar dos vetos governamentais ao Estatuto da Polícia Militar, que resultaram nos ataques.

 “Os vetos da PM, já constavam neste projeto, aprovado em 2001, dependendo apenas da Lei Previdenciária. Lamentei os vetos; nunca escondi de ninguém. Meu posicionamento, e que foi votado pela maioria absoluta dos deputados, em acordo de gente grande tendo o cuidado para não prejudicar os policiais militares”, explica.
 

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