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Manoel Lima

O morro dos índios e dos
minérios estratégicos


O morro dos índios e dos
minérios estratégicos

Um grande vale, com uma floresta verdejante, e um terreno que abrigava centenas de nascentes que brotavam águas para a formação de pequenos rios; que mais à frente se tornavam alguns dos principais afluentes do grande rio Negro. Ao norte, o majestoso Pico da Neblina (a montanha mais alta do Brasil), sempre escondido entre as quase permanentes nuvens, na verdade um vale circundado por montanhas, a mais importante conhecida como a temível Serra do Curupira, onde muitos e muitos mateiros morreram de frio intenso ou devorados por grandes animais.
Todo esse quadro mostrava o que era a região do Morro dos Seis Lagos, uma formação geológica surgida após a última glaciação ocorrida há trezentos milhões de anos, encravado num vale entre a cidade de São Gabriel da Cachoeira e o Pico da Neblina, no Amazonas. Esse morro foi descoberto pelo Projeto Radam, um programa que os militares da Revolução criaram para traçar o perfil do solo e subsolo do Brasil; os trabalhos do Radam se desenvolviam dentro de um avião tipo Caravelle, adaptado para um autêntico laboratório de pesquisas com os equipamentos de prospecção mais modernos que existiam à época. O Projeto Radam mapeou detidamente a Amazônia, descobrindo as riquezas encravadas no seu solo e subsolo, abarrotados de ocorrências de minérios os mais valiosos e estratégicos do mundo.
O Morro dos Seis Lagos foi então esmiuçado, a partir de meados de 1977 pelos geólogos da CPRM – Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais, que após dois anos de pesquisas geológicas constatou existir nessa formação o maior complexo de carbonatito do mundo, avaliado em cerca de 3 trilhões de dólares. No entanto, o local só era acessado através de helicópteros, pois se trava de uma região inóspita, deserta, jamais penetrada ou habitada por seres humanos. Caçadores, madeireiros e mateiros extratores de bens comíveis da floresta conheciam a região. Mas nenhuma viva alma havia habitada naquele lugar.
Contratada pelo governo revolucionário, a CPRM se instalou em São Gabriel da Cachoeira, montando o seu acampamento ao lado da pista do então pequeno aeroporto da cidade, um local igualmente isolado, que às vezes, à noite, era costumeiramente visitado por casais desavisados de onças pintadas. Desse acampamento partiam todas as manhãs, os sobrevôos dos helicópteros da FAB emprestados para apoiarem as incursões e as pesquisas de campo, in loco, nos seis lagos do grande morro. Um morro de uns 700 metros de altura, imponente, isolado, no grande vale entre o Pico da Neblina e São Gabriel.
Na verdade, os lagos são seis grandes buracos encravados no alto do morro, com suas águas de diferentes colorações – meio vermelhas, pretas, braças, azuis, cristalinas e amareladas. Em cada lago, havia ocorrências mineralógicas de nióbio, bário, tório e o urânio, mineral estratégico que Brasil tanto necessitava para o seu projeto nuclear, para fazer funcionar as suas usinas de Angra dos Reis. E outros minerais de valor substancial como cassiterita, manganês, ferro, além de grandes jazidas de ouro, diamante e as terras raras de igual valor monetário no mercado internacional.
Agora, o Morro dos Seis Lagos é uma região habitada; tem soldados do Exército, engenheiros, e até técnicos em internet. E claro índios da etnia Tukano e alguns Yanomami. Os Tukanos teriam sido levados pela Funai no início da década de 80 para a região, transportados de helicópteros do Exército. Foram transportados de madrugada para ocupar áreas do vale do morro, certamente para com suas presenças impedir qualquer iniciativa que viesse a ser tomada para a exploração dos minerais descobertos.
Surpreso fiquei neste domingo 8 ao assistir a um documentário da TV SESC, canal fechado, sobre esse morro, que agora é mais uma área indígena criada pela Funai para entravar o desenvolvimento econômico da Amazônia. Os Tukano dominam a área, e já se observa incólumes aldeias próximas ao morro. A mais importante é a Ya-Mirim, onde os engenheiros constroem a Casa Grande para servir de palco para as grandes festas indígenas. A presença dostukano e dos Yanomami fez desaparecer os macacos Zog Zog, muito numerosos na região quando o morro foi descoberto. Índio seja de qualquer etnia adora comer macaco no almoço.
O Exército Brasileiro teve que construir uma estrada de quase 100 quilômetros de São Gabriel ao Morro dos Seis Lagos; com a chegada dos Tukano e Yanomami, era preciso apoiar os índios, transportando materiais como cimento e tijolos para fazer as construções da Funai. `
A época da descoberta do morro, o governo revolucionário não mostrou interesse em construir um acesso para a região, o que permitiria a exploração das jazidas minerais. Não havia interesse porque não havia mercado para comprar os minérios. A política indigenista em nada impediu essas ações porque ali não havia uma alma indígena. Hoje não, os índios foram levados para a região exatamente impedirem qualquer exploração mineral.
O Brasil precisa crescer economicamente; a Amazônia tem as soluções econômicas para o Brasil. Mas a criação estapafúrdia de reservas indígenas impede o vislumbrar dessas soluções. Infelizmente!

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