Campanha pede apoio ao parlamento
“Quando vejo uma criança ou adolescente na rua, meu sentimento é de tristeza”. A declaração da pequena Juliana no plenário da Assembleia Legislativa, na manhã desta terça-feira (3), levantou olhares para um problema que há tempos perambula nas ruas de Boa Vista. O assunto é tema de campanha nacional desde 2010, quando percorreu todas as capitais brasileiras. Este ano, o movimento traça a mesma trajetória e vai além: quer saber quantos meninos e meninas estão em “situação de rua”, que têm casa, mas vivem fora do lar.
Juliana Carolina da Silva está fora dessa triste realidade. Aos 12 anos, é ela quem representa o Estado de Roraima no Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), braço no Governo Federal que luta pela garantia de políticas públicas voltadas para a infância e juventude. É lá que a estudante e outros adolescentes se reúnem para dizer aos adultos o que eles precisam para ter uma vida digna e de respeito. No mesmo tom, Juliana sensibilizou deputados estaduais a se unirem em defesa da causa que vem ganhando milhões de seguidores por todo o País. “Se a criança tiver ajuda da família e do poder público, ela será um cidadão de bem”, concluiu em seu discurso no plenário. A audiência pública recebeu o Fórum Estadual em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, que movimenta a campanha “Criança não é de Rua” no Estado de Roraima.
CAMPANHA - A campanha incentiva diálogos sobre a importância da aproximação feita pelos educadores sociais na rua, da convivência familiar e comunitária, dos espaços de acolhimento institucional governamentais e não governamentais, além de políticas públicas, financiamento oficial e tecnologias sociais que envolvam as crianças e os adolescentes em situação de moradia nas ruas. “Temos o dever de cuidar das nossas crianças”, diz Aurelina. Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Família, da Mulher, da Criança, do Adolescente, do Idoso e de Ação Social, Aurelina Medeiros (PSDB) é uma das parlamentares que tem pautado seu trabalho em favor de garantias de políticas públicas que atendam a família roraimense. A recém-criada Procuradoria Especial da Mulher, projeto que teve a deputada como relatora, busca, entre suas finalidades, ser um espaço para elaboração de projetos de lei e emendas parlamentares. “Ao tomar conhecimento de estatísticas do Chame [Centro Humanitário de Atendimento à Mulher] que registraram quase dois mil casos de pessoas vítimas de violência, sendo que 70% não eram desempregadas, fico preocupada com essas famílias”, disse Aurelina ao apontar o problema “como estrutural”. “Encontrar jovens, filhos de professores e servidores públicos nas ruas, por estarem envolvidos com drogas, nos faz crer que o problema é bem maior. Temos obrigação, como parlamentar, de cuidar bem de nossas crianças, de zelar pelo nosso Estado”, arrematou.