- 05 de janeiro de 2026
Greve de policiais
termina na Bahia
A greve dos policiais militares na Bahia, encerrada em assembleia realizada na noite de ontem, deixou um saldo de 177 assassinatos na região metropolitana de Salvador durante o período que durou a paralisação: entre a manhã de 1º de fevereiro (quarta-feira) e a noite de 11 de fevereiro (sábado). A greve foi decretada na noite do último dia 31.
Levantamento feito pelo UOL nas estatísticas oficiais divulgadas pelo governo estadual mostra que o número de homicídios registrados no período é 156% superior ao mesmo período anterior. Entre 18 de janeiro (quarta-feira) e 28 de janeiro (sábado), foram 69 homicídios na região metropolitana.
O dia com maior índice de violência foi a sexta-feira (3), com 31 mortes –o governo chegou a anunciar 32 homicídios, mas o número foi corrigido. A média de mortes no período foi de 16 assassinatos enquanto, antes da greve, a média era de seis, ainda segundo os números divulgados pelo Estado.
Uma das vítimas do dia 3 de fevereiro foi o percussionista da banda Olodum, Denilton Souza Cerqueira, 34, morto a tiros na porta de casa na madrugada do dia 3, no bairro periférico da Mata Escura. Dois homens armados, em uma motocicleta, teriam abordado o músico e feito os disparos.
Reportagem da “Folha de S.Paulo” divulgada neste domingo (12) mostra que a maioria das vítimas mortas na capital Salvador durante a greve foi baleada na cabeça, o que sugere que as vítimas não tiveram chance de defesa. Ontem, o jornal mostrou que a polícia investiga a atuação de milícias em mortes realizadas na periferia da capital.
Entre os mortos durante a greve, ao menos três eram policiais: na noite do dia 7, o soldado Elenildo dos Santos Costa, 34, morreu a tiros quando saía de uma pizzaria no bairro de São Rafael; a noite da segunda-feira (6), o policial rodoviário Carlos Luiz Leal de Souza foi morto com dois tiros em frente à Universidade Estadual da Bahia, em Camaçari (Grande Salvador); já no sábado (4), o policial civil João Carvalho Filho morreu na avenida ACM, em Salvador, por dois homens armados que dispararam mais de dez vezes contra a vítima.
Durante a paralisação, estabelecimentos comerciais também registraram saques e arrastões. Para se proteger, alguns comerciantes da capital formaram uma "rede de informações": em caso de ocorrência de assalto em algum bairro, os donos de loja ligavam para amigos nos bairros vizinhos e todos baixavam as portas.
Também foram canceladas aulas nas redes pública e privada, assim como shows e espetáculos culturais. Os Estados Unidos chegaram a recomendar aos norte-americanos que adiassem viagens "não essenciais" ao Estado.