- 05 de janeiro de 2026
CAIXA-PRETA
Por Expedito Perônnico
Jornalista e Administrador
Opinião própria e carimbaço
Em Roraima condiciona-se como praxe a a quase obrigatoriedade de sermos vassalos de algum grupo politico, de um mandatário, de algo como carimbar na testa o nome daquele que se encontra eventualmente no poder. A coisa causa tanto alvoroço que há um fato histórico do donhecimento público.
Na sua curta ausência de reinado, o ex-governador Ottomar Pinto, a quem os súditos o saudavam como brigadeiro, manteve uma entourage acesa, consistente e unida, batizada de “viúvas de ottomar”. Esses desatistidos até hoje estão gozando do espólio. E que espólio...
Pois bem, em que época vivemos? Parece que o direito ao principio da liberdade de expressão só serve aos que bajulam, os serventilistas, proselitistas que só escrevem e falam aquilo que queremos ouvir.
Tenho um amigo que me relata sempre sua necessidade de ter opinião própria, de tomar decisões próprias. Mas esbarra no temor de contrariar a namorada, a mãe, os irmãos, os amigos. Enfim, prefere se acovardar a materializar um pensamento racional. As vezes ele me pede ajuda e eu digo: “fale o que você pensa mané”. Ele responde: “Não consigo, cara. Tenho medo do que virá depois”.
O direito à liberdade de expressão garante a qualquer indivíduo a possibilidade de se manifestar, de buscar e receber informações e idéias de todos os tipos, independentemente da intervenção de terceiros. Isto pode ocorrer oralmente, de forma escrita, através da arte ou de qualquer meio de comunicação.
A liberdade de expressão não é um direito absoluto, mas sua restrição deve estar baseada em parâmetros bastante claros e estritos. Portanto, é necessário definir o que são restrições legítimas, em contraponto àquelas que caracterizam abuso de poder e ilegalidade.
Assim, quando numa discussão reivindicamos um interesse ou um valor que nos diz respeito, como a integridade física, que é protegida por um direito, esta reivindicação deve prevalecer sobre outros valores ou interesses que não são protegidos por direitos.
Se tenho direito a plena liberdade de expressão, como justificar que este direito possa ser restringido, se pela minha definição mecânica, todas as outras pessoas se encontram obrigadas automaticamente a respeitar tal liberdade?
Me manifesto assim por dever de oficio. Atualmente não consigo me vincular paroquialmente a um ser poderoso nessa republiqueta de bananas em que vivemos. E seria até vacilo dos sábios apegar-se ao rótulo da fragilidade passional e prostar-se de joelho e gritar: “eis me aqui grande e divino mestre”. Jamais, prefito a racionalidade do que a emoção, a verdade do que o capricho. Outro dia fiz uma análise superfial da situação politica em que se encontra nosso Estado de Roraima, e logo me perguntaram acintosamente: “de que lado você está?”.
Ora, convenhamos, beirando a veilihce, tenho que me declarar capacho de alguém? Eu escrevo coisas absolutamentes impessoais, fruto do conhecimento sobre questões do coridiano roraimense, afinal de contas vivo aqui há quase três décadas. E tem mais, não escrevo para afagar muito menos e tampouco para magoar alquém. Escrevo porque é essa a nossa função enquanto comunicadores.
Sou um defensor radical da opinião própria. Se alguém me diz uma coisa, quero que me explique o por quê, o como e a razão para que eu acredite no que me é dito. Se eu tenho uma opinião diferente, sou mente aberta para mudar e completar meus próprios conceitos, mas, em compensação, não mudo minha forma de pensar sem antes debater, entender onde há erro na minha concepção e, por fim, aderir a um novo conceito.
A opinião própria é o que nos dá base para buscarmos tudo o que quisermos na nossa vida.
"O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo."
(ditado Zen)