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Expedito Peronnico

Cegos do Castelo


CAIXA-PRETA

Por Expedito Peronnico
Jornalista e Administrador

Cegos do Castelo
Vamos inverter a expressão: ao invés de ‘pior do que cego em tiroteio’,  comumente dito no adágio popular, vamos dizer, ‘cegos em plena luz do dia’. A eleição de 2010 em que o então governador José de Anchieta Junior foi reeleito, abatendo Neudo Campos com o uma pequena quantidade de votos, parece não ter fim. Continuamos em pleno alvoroço dos discursos, das conspirações, do fuxico, do leriado cotidiano, do apelo emocional. A eleição de 2010 persiste.

A verdade é que o governador Anchieta é de direito chefe politico do estado de Roraima. Anchieta obteve a maioria dos votos anotados naquele 3 de outubro de 2010. Neudo, então ganhador no 1º turno, sucumbiu no 2º turno a um resultado trágico, mesmo quando todos apostavam na sua glória. Os menos otimistas contavam de véspera, feito peru de natal, em pelo menos 20 mil votos de diferença pró-Neudo. Deu tudo errado. Eu mesmo acreditava na eleição de Neudo por um determinado momento. Até que na reta final pela soberba dos apegados e pelo excesso dos aloprados, passei a profetizar a derrota. Não deu outra!

Os devotos de Neudo Campos acordam ao raiar do sol vestidos como se fossem ao encontro da posse em cargos públicos imaginários. Tudo já loteado no sonho. Garentem para si próprios que o governo “será nosso, é só uma questão de tempo”!. Tempo que ao passo que se arrasta, atrapalha todo o resto. Chega a ser irritante tanta pieguisse. É como se um monte de pelegos acorrentem-se na forquilha do sindicato e de lá prometam ficar para sempre.

Há paradoxos evidentes entre o que é de fato e o que é de diereito. O que é de fato, meros recursos hipotéticos do que virá. O que é de direito é aquilo que é real: existe um governador reeleito pela maioria dos roraimenses, portanto há que ser considerar aquela eleição soberana, homologada, apontada, atestada e anunciada pela Justiça Eleitoral.

Até quando vamos praguejar sobre o provável. Um ano todo de perrengues nas ruas, nos botequins, em rodas aleatórias e nos tribunais, comprometeu a estrutura administrativa. O que parece de direito é que as denúncias até então trombeteadas pela turma de Neudo estão sendo esvaziadas feito poeira em alto mar. Não  há consistências naquelas peças draconinanas apretesentadas aos montes nos tribunais. E entre os neudistas já não há da mesma forma uma certeza de que o tão cantado mandato virá.

Uma eleição é como uma guerra: não existe empate, um perde, outro ganha.  Anchieta ganhou e precisa ser visto nesta condição de vitorioso. A instabilidade politico-administrativa que se abateu sobre Roraima em 2011, ano seguinte ao pleito, foi danosa para todos. O Estado encolheu econominamente, deu marcha a ré, andou para trás feito caranguejo. Perdeu espaço politico no cenário nacional, foi absolutamente açoitado na imprensa nacional, perdeu credibilidade. Porque aqui vale mais a versão do que o fato. Uma pequena denúncia de uso indevido depois não provado de um programa de rádio em defesa do então candidato Anchieta em emissora pública foi bater às portas da justiça de último grau. Depois recusada no TSE.

E há outras, muitas outras queixas dos perdedores sobre atitudes vedadas de Anchieta. Pela quantidade de peças reivindicadas, carecerá de pelo menos mais 10 anos para serem julgadas. Ou seja, o mandato de Anchieta, cujo tempo de validade não vai mais do que os próximos dois anos e três meses – posto que o governador deverá ser candidato ao Senado com grande possibilidade de se eleger - , viverá sob o peso do martelo acusador.

Ao governador Anchieta o dever de governar, amparado no mais básico dos princípios: a prerrogativa que lhe foi concedita pelo voto. A Neudo, bem, há controvérsias. Primeiro sobre se logrará êxito em seus devaneios judicionais. Depois seu histórico político-criminal devassa  sua idoneidade, peculiar a quem deseja ser chefe de governo. É dever de quem aqui vive exaltar que Neudo teve seus momentos gloriosos nos dois anos em que governou Roraima: mas o que se viu depois foram aqueles escândalos vergonhosos de roubo do dinheiro publico, prisão pela polícia federal e uma série de outros acontecimentos que causaram ao Neudo grandes e profundos danos morais e éticos. Um governante tão expressivo mas que não conseguiu se eleger senador na primeira disputa após entregar o mandato ao hoje deputado Flamarion Portela.

Toda a opinião pública roraimense só tem olhos para a incerteza. Todo mundo batendo cabeça para apontar ou advinhar um novo caminho para Roraima. Opinião pública, horrorize-se com o irreal modelo político que se pratica aqui. O governador não consegue obter o sono dos justos ao passo que os adversários, em sua natureza aberrativa, só proclamam o mau e abssorvem a conspiração como prêmio.

É bem verdade que vivemos em um estado democrático de direito e tudo se permite. Anchieta precisa trabalhar, mostrar a que veio. Os opositores se acham no devido direito de acusar. Ocorre que pela inconsistência de provas materiaias, as acusações vão se perdendo no vazio, mas causam estragos medonhos na vida de todos nós, dependentes do Estado. Elas exercem um fascínio aluScinado nessa gente politicamente pervertida, que se ocupa do não fazer nada feitos operários de deus.

Preciso afirmar que não sou partidário de Anchieta tampouco de Neudo (em quem votei na eleição passada), mas me posiciono como cidadão preocupado com o futuro desta terra que amo tanto e que não pretendo daqui sair jamais, embora nutra de um relacionamento amistoso com ambos.

Já fui colega de Anchieta ainda então um desconhecido engenheiro cearense que aqui desembarcou na década de 1990, trazido pelo brigadeiro Ottomar Pinto que o encaminhou para administrar o antigo jornal “O Diário”, onde fui editor chefe, e de Neudo, amigo sinuqueiro em quem depositei todas as minhas fichas na sua primeira eleição ao governo de Roraima em 1994, seguido de um outro mandato quatro anos depois. Neudo teve seu tempo. A propósito não existe o tempo, existe o passar do tempo. E Neudo já passou no seu tempo. Agora todos precisam compreender que outras lideranças virão neste tempo presente.

Impaciente com as acusações da oposição de que seus atos recentes são todos eleitoreiros e com a pressão de parte da imprensa Anchieta não tem outra alternativa, bradar serenamente como convém aos líderes: “deixem que o governo do Estado trabalhe”!. Você não pode colocar o projeto de vida de um Estado em função de uma eleição, a eleição é que tem de estar subordinada a esse projeto. Anchieta tem que dizer: “queria pedir o seguinte, para as pessoas deixarem a gente governar o Estado”. 

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