- 05 de janeiro de 2026
Médico envolvido com 2 mortes é ouvido no MPE
Henrique Schiaveto vem sendo investigado pelo Ministério Público do
Estado de Roraima desde novembro do ano passado. Após a realização de
um lipoaspiração que causou a morte de uma paciente.
O médico e cirurgião plástico, Henrique José Schiaveto, membro da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, participou na tarde de
ontem, 11, de uma oitiva realizada na sede do Ministério Público do
Estado de Roraima (MPRR) após ser notificado pelos promotores de
justiça que apuram a morte de duas pacientes que se submeteram a
procedimentos de lipoaspiração realizado no Hospital Unimed Boa Vista,
sendo uma delas, Maurízia Gomes de Souza, 39 anos e a outra, Maria
Luiza Coelho, defensora pública, 49 anos.
Schiaveto também é investigado em outro caso envolvendo uma paciente
que se submeteu a lipoaspiração na última sexta-feira e que
encontrava-se em estado grave. Os fatos ocorreram em Boa Vista, capital
do estado de Roraima.
O depoimento, que durou cerca de quatro horas, contou com a presença
de membros do Grupo Especializado de Combate ao Crime (GAECO/RR) do
MPRR, bem como da Promotoria de Defesa da Saúde.
Na ocasião, o cirurgião plástico se declarou inocente, porém admitiu
que a falta de atendimento médico adequado contribuiu para a morte de
Maurízia. Ainda segundo o investigado, a responsabilidade pela morte
da paciente seria da equipe que integra a sala de Recuperação
Pós-anestésica (RPA) do hospital da Unimed.
Para o promotor criminal José Rocha Neto, que também investiga o caso,
“a declaração de inocência feita pelo cirurgião plástico não causa
nenhuma surpresa ao Ministério Público Estadual, porém, ao atribuir
culpa à equipe responsável pela Sala de Recuperação Pós-anestésica da
Unimed, Henrique Schiaveto fere o artigo 6º do Código de Ética Médica,
que veda a atribuição de responsabilidade a terceiros por fato
ocasionado pelo próprio médico”.
As duas mortes, ocorridas em curto espaço de tempo, após realização de
lipoaspiração feitas pelo cirurgião plástico, ambas com perfurações da
parede abdominal, reforçam a ideia de que Schiaveto poderia não
encontrar-se em perfeitas condições para a realização dos procedimentos
cirúrgicos, uma vez que deixou claro não ter mudado a técnica e que
também não passava por problemas pessoais.
Indagado a cerca de eventual uso de entorpecente durante as cirurgias,
Henrique Schiaveto afirmou ser boato iniciado em razão de seu
divórcio, porém, se recusou, sem qualquer justificativa plausível, a se
submeter a exame técnico que comprove ou não uso de drogas.
Conforme as investigações do MPRR, iniciadas em novembro do ano
passado, o cirurgião plástico teria entregue aos familiares de Maurízia
Gomes, após a confirmação da morte da paciente, uma quantia em
dinheiro, inclusive, devolveu os honorários integralmente recebidos por
ele para a realização da lipoaspiração.
Para o promotor Marco Antônio Bondin de Azeredo, a devolução do
dinheiro feita pelo médico só confirma a suspeita do Ministério Público
Estadual de que a família da vítima não teria denunciado o caso por ter
recebido algum benefício do acusado, propiciando assim, que o corpo da
vítima não fosse, inclusive, encaminhado ao Instituto Médico Legal
(IML) para realização de laudo pericial. “É inadmissível que a
sociedade fique refém de procedimentos cirúrgicos que venham a ceifar
vidas. Nós estamos envidando esforços elucidar os casos”.
Após o falecimento da defensora pública Maria Luíza, e com a
repercussão do caso, Henrique Schiaveto solicitou ao Conselho Regional
de Medicina (CRM) a suspensão temporária de suas atividades
relacionadas a cirurgias plásticas, porém, poderá continuar exercendo
a profissão de médico, não mais como cirurgião.
Segundo os promotores, Schiaveto deixou transparecer em seu depoimento
que só fez a solicitação de suspensão ao CRM por que tinha receio de
que fosse decretada sua prisão cautelar, a exemplo de casos
semelhantes ocorridos em outros estados e divulgados nacionalmente.
“Na opinião do Ministério Público Estadual, isto não passa de uma
estratégia da defesa, uma vez que ele poderia afastar-se das cirurgias
sem qualquer comunicação ao CRM, além do que poderá continuar exercendo
a medicina, bem como voltar a atividade de cirurgião”, explicaram os
promotores de justiça.
Henquique Schiaveto será ouvido novamente pelo MPRRR, em data a ser
definida. Com o andamento das investigações, os promotores de justiça
também ouvirão as testemunhas, inclusive pessoas apontadas pelo próprio
cirurgião, para que relatem o modo como participaram dos procedimentos
cirúrgicos. Os promotores irão requisitar novos documentos aos órgãos
pertinentes para dar prosseguimento às investigações e buscar a
elucidação dos casos.