- 05 de janeiro de 2026
Maracutaias serão punidas!
A notícia espalhou-se mundo afora na última quarta-feira (7): o ex-governador foi condenado a cumprir 14 anos de prisão por crime de corrupção. Aconteceu no estado americano de Illinois. Como justiça por aquelas bandas é coisa séria, Rod Blagojevich terá de cumprir pelo menos 85% da pena, 12 anos de prisão.
Entre outros crimes, o ex-governador de quase 55 anos foi apenado por ter tentado leiloar o cargo de senador pelo seu estado, na vaga deixada por Barack Obama ao se eleger presidente dos Estados Unidos. Lá, no caso de vacância do cargo em meio ao mandato, cabe ao governador indicar um substituto para atuar até o final da legislatura, quando, então, ocorrem novas eleições.
Durante o julgamento de Blagojevich, a acusação apelou para que fosse condenado a 20 anos de prisão e alegou que ele sabia que o que estava fazendo infringia a lei. O antigo governador admitiu o "equívoco", mas disse ter sido induzido por assessores a praticá-lo, sob a orientação de que “era permitido”. E lamentou: “A minha vida está arruinada. A minha carreira política acabou e não poderei mais ser advogado”. É assim que funciona por lá.
Já por aqui há uma total inversão de valores. Um ex-governador condenado a 51 anos de prisão por vários crimes – entre eles a formação de quadrilha para surrupiar dos cofres do estado a relevante quantia de R$ 70 milhões da folha de pagamento –, não os admite oficialmente, mas teve o topete de dizer alto e bom som, durante campanha eleitoral: “Vote em mim... não posso mais errar”. O erro a que se referia deve ser os crimes pelos quais fora condenado. Só pode ser!
Também em Roraima, um ex-governador é condenado pela Justiça Federal por ter dado sumiço a uma montanha de dinheiro público que migrou dos cofres da União para o então Território, com o objetivo de fazer uma lunática dragagem no leito do rio Branco. Nunca mais se ouviu falar da montanha de dinheiro, muito menos alguém chegou a sentir os efeitos de tal dragagem - ela não se concretizou. A autoridade responsável, que ganhou a alcunha de “Sr. Dragagem”, jamais chegou a ser presa e todos os dias dita ordens de ética e moral públicas.
Os exemplos de assalto ao erário são soberbos e casos suspeitos proliferam todos os anos, mas detenhamo-nos apenas nestes dois. Afinal, é assim que o bonde da estupidez segue o seu caminho na terra de Makunaima. De maracutaia em maracutaia, os desonestos, parecem, vão se dando bem. Até chegar o momento em que os ventos mudarem de direção.
Aí, a coisa vai pegar. Cada um será recolhido aos costumes. Quem não chegar a ser recolhido, pagará de alguma maneira pelas traquinagens cometidas. O certo é que todos vão pagar pelo que fizeram. Trata-se apenas de uma questão de tempo. É lei natural. Não há dívida a ficar sem o devido pagamento.