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EDITORIAL

O povo não quis eleger um arruaceiro profissional


O povo não quis eleger um
arruaceiro profissional

A greve é um instrumento que o trabalhador tem nas mãos para reivindicar direitos, especialmente aqueles relacionados a reajustes de salário e condições de trabalho. Até aí nada de novo. Mas, para toda regra existem exceções. Não se admite, por exemplo, que a greve seja praticada em segmentos essenciais, com prejuízo para a sociedade.

Imagine-se uma greve de médicos e paramédicos (do enfermeiro até o mais simples auxiliar de enfermagem). Como ficariam os doentes internados em leitos de um hospital que estivesse vivendo essa situação? Totalmente desassistidos. O mesmo ocorre com o setor da segurança pública.

Não é admissível, sob qualquer aspecto, uma greve de policiais e bombeiros militares. Apesar de a sociedade reconhecer que todo trabalhador tem direito de reivindicar melhores salários, ela não aceita que tal ocorra nesses setores, onde a paralisação significa perdas irreparáveis – de vidas, no caso do hospital, e da integridade física e do patrimônio, no caso dos PMs e bombeiros.

O estado do Maranhão acaba de viver o drama de ver suas polícias paralisadas. A PM voltou a trabalhar no sábado (3), enquanto que a Civil continua a mobilização. Durante os 10 dias de greve da PM, o povo maranhense viveu momentos de total insegurança, a exemplo do que ocorrera em Roraima, em abril de 2009, quando os PMs roraimenses cruzaram os braços.

Em São Luís, como em Boa Vista, o que se viu foi PM jogando baralho e dominó, conversando pelos cantos, fazendo churrasco, tocando pagode, desfrutando languidamente da companhia de familiares, inclusive crianças, \"\"enquanto a cidade permanecia desguarnecida, à mercê da marginalidade.

Se policiais militares fazendo greve é uma aberração contra a Constituição Federal de 1988, incitar tais atitudes deve ser, no mínimo, crime. E é isso o que o deputado estadual Soldado Sampaio (foto) vem fazendo Brasil a fora.

Na greve da PM do Maranhão, que terminou após 10 dias do seu início, Sampaio chegou a ser taxado de “arruaceiro profissional” pela imprensa local. Tudo bem, o deputado estaria exercendo um direito seu. Afinal, ele foi eleito em razão da sua atuação durante a greve dos PMs de Roraima. Certo?

Errado! Sampaio estaria certo se estivesse fazendo parte de greves – não só no Maranhão, como também na PM de Rondônia, em março deste ano – à custa de recursos próprios e não do contribuinte roraimense.

O deputado do PCdoB esteve no Maranhão exatamente no período em que deveria estar participando do II Encontro do Parlamento Amazônico, em Manaus. O Parlamazon aconteceu de 24 a 27 do mês passado, mas já no dia 25, o Soldado Sampaio estava no Maranhão, ditando normas para o bom funcionamento da greve. 

Ou seja, provavelmente, usou o dinheiro das diárias e passagens aéreas pagas pela Assembléia Legislativa roraimense para proferir bravatas em São Luiz, apoiando uma briga alheia que nada tem a ver com Roraima.

Que Sampaio faça tudo isso ninguém pode impedir, mas que o faça com recursos do próprio bolso e não dos impostos do contribuinte roraimense. Afinal, como deputado estadual, ele ganha salário de cerca de 20 mil reais, o que corresponde a, pelo menos, 10 vezes o que ganha um soldado PM na ativa. Uma coisa é certa: não foi para isso que o povo roraimense o elegeu, para ser um "arruaceiro profissional".

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