00:00:00

EDITORIAL

Moral de cueca


Moral de cueca

Em reportagem divulgada nesta terça-feira (22), jornal que se arvora “necessário” destaca a necessidade de moralização do estado. Essa condição viria tão-somente por meio da cassação do governador José de Anchieta. O esteio para a decisão, segundo as opiniões levantadas pelo periódico, seria a compra de votos, como se essa fosse a única dor de barriga a incomodar a população roraimense.

Compra de votos não deixa de ser crime. Consta como tal na legislação eleitoral. Deve ser punida com os rigores da lei. Mas, para que se alcance a \"\"verdadeira justiça, tão conclamada pelos adversários de José de Anchieta, faz-se necessário que a régua que irá medi-la seja a mesma para as demais traquinagens que envolvem recursos do erário. 

Na extensa matéria, o repórter do jornal “necessário” ouviu quatro líderes sindicais, cujas entidades que representam estão estreitamente atreladas à máquina administrativa do estado, como o Sinter (professores) e Sinpol (policiais civis). Todos citaram a compra de votos como sendo o único câncer (em estado de metástase) a corroer as entranhas do governo.  

Para esses lídimos senhores, somente pela ação austera da Justiça Eleitoral se poderia restaurar o estado de nirvana (ausência total de sofrimento; paz e plenitude) no qual Roraima merece viver. Puro engano. Tal raciocínio, se não falho em todos os sentidos, o é, pelo menos, em parte.

A impunidade é o principal combustível a mover as maracutaias, sejam elas grandes, médias ou pequenas. A compra de votos deve ser punida, sim. Mas, também, deve ter o mesmo tratamento a malversação de dinheiro público, atividade desenvolvida com apetite desmedido pelo grupo que ora atira pedras em José de Anchieta.

Quem não se lembra, por exemplo, do Caso Gafanhoto? Aquele que levou, em novembro de 2003, uma quadrilha inteira a morar por alguns dias nas geladas celas da Cadeia Pública? Quem não se lembra que o atual acusador de Anchieta, o ex-governador Neudo Campos, engrossava o pelotão de algemados naquele episódio?

Neudo e seus companheiros de infortúnio, naquela ocasião, não haviam comprado votos, mas fizeram coisa mais condenável: surrupiaram mais de 70 milhões de reais dos cofres do estado, ação que lhe rendeu, até agora, três condenações na Justiça Federal que, somadas, ultrapassam os 50 anos de cadeia.

\"\"Outra: quem não se lembra da estripulia - para não dizer outra coisa - de querer dragar o rio Branco, obra do então governador do território e babalaô (conselheiro) do "jornal necessário" Getúlio Cruz? Os recursos federais da ordem de 10 milhões de dólares entraram nos cofres do território e tomaram destino incerto e não sabido, sem que nenhum benefício ficasse para a sociedade local.

Por conta disso, Getúlio, chamado pelo saudoso Ottomar Pinto de "senhor dragagem", sofreu condenação na Justiça Federal, a exemplo de outra estripulia praticada por ele, a da construção da hidrelétrica do Paredão. Em 1986, durante o governo de Getúlio, o extinto Ministério do Interior destinou recursos de igual montante, 10 milhões de dólares, para a construção da tal hidrelétrica. Nada foi feito. Quanto à dinheirama, deve ter sido eletrocutada e Getúlio guarda segredo até hoje do seu destino.

E a prisão de Caracaraí que só existem escombros, "senhor dragagem"?

O cinismo e descaramento praticados por uma parte da classe política macuxi é algo estarrecedor. É impressionante a quantas chega o caráter torto de alguns, a ponto de serem classificados pela massa como detentores de moral nada ilibada, mas, de pregarem a moral de cueca. Apontam um dedo para os opositores, enquanto quatro estão apontados para si mesmos. Para esses, o terceiro turno das eleições de 2010 ainda não acabou. Triste realidade.

Últimas Postagens