- 05 de janeiro de 2026
A primazia do eleitor
Moralidade com a coisa pública é o mínimo que o eleitor pode exigir de um líder escolhido por ele. Afinal, ninguém, em sã consciência, deseja eleger uma autoridade para que esta se mostre esbanjadora dos recursos provenientes do imposto pago com o suor do rosto. Há, porém, autoridades
que não levam esse preceito a sério. Muito pelo contrário, se lambuzam com o dinheiro público como se fosse próprio, particular.
Uma dessas autoridades, sem o mínimo de noção do que seja parcimônia com recursos do Erário, é o senador Mozarildo Cavalcanti, conforme a coluna Opinião Formada deste Fontebrasil vem alardeando há alguns dias. Somente no mês de outubro, o senador gastou R$ 35.613,27, da verba indenizatória, com despesas gerais. Tudo pago pelo contribuinte, ou seja, pelo povo.
Em um único dia, o do aniversário do estado (5 de outubro), Mozarildo conseguiu consumir nada menos que R$ 1.212,00 em um jantar no Almada Restaurante, em São Paulo. (A planilha de gastos está na coluna Opinião Formada do dia 16/11). Fatos dessa natureza e intensidade demonstram total falta de consciência do que seja gastar o dinheiro público de forma correta.
Quem age dessa maneira não tem respaldo algum para exigir moralidade de quem quer que seja. Ao esbanjar os recursos do Erário de forma perdulária, o político passa recibo na máxima que a população já tornou fato corriqueiro: elegeu-se não para servir a sociedade, mas para se servir dela.
Aliás, essa máxima se confirma a cada dia. Um exemplo de sua extensão pernóstica está nos cartões corporativos. O uso por parte das autoridades durante o governo Lula foi motivo de espanto. O recém-defenestrado ministro Orlando Silva, aquele com nome de cantor das multidões, fora pilhado pagando até tapioca num boteco de esquina com o bendito cartão. Mozarildo, o senador por Roraima, recebeu até pelo cafezinho (R$ 2) que bebeu no Aeroporto de Brasília.
O abuso do expediente só cresce a cada dia. Durante todo o ano de 2010, a Presidência da República, sob Lula, torrou R$ 6,1 milhões com gastos no cartão corporativo. Este ano, só nos seis primeiros meses, a mesma instituição, sob o comando de Dilma Rousseff, conseguiu deixar o Erário mais pobre em quase R$ 4 milhões, segundo o site Transparência Brasil. Em quê, não se sabe.
Políticos como o senador Mozarildo Cavalcanti, que não titubeiam em gastar o dinheiro público como se fosse privado, facilita a tarefa de descobrir por que os inescrupulosos engrossam as fileiras dos pleiteantes a cargos públicos: a vida mansa bancada pelo contribuinte.
O que se fazer para dar um jeito nesse estado de coisas? Só há uma saída: a primazia do eleitor. Só ele poderá mudar esse quadro, votando em pessoas que tenham história de vida moldada pela austeridade, pela honestidade, e, acima de tudo, pelo compromisso com o povo. Fazer festa com dinheiro alheio é muito fácil.
Só assim, jantares de R$ 1,2 mil deixarão de envergonhar uma sociedade em um Estado do país onde o trabalhador dá o duro, ao longo de dois meses, para ganhar, líquido, menos que esse valor.
