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Lupi perde apoio no PDT

Dilma segura ministro por enquanto


Lupi perde apoio no PDT, mas Dilma segura ministro por enquanto


BRASÍLIA - Apesar da situação política do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ser considerada delicada pelo Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff decidiu que manterá o ministro no cargo depois do depoimento que ele deu no Senado nesta quinta-feira.

\"\"Segundo uma fonte do Planalto, o quadro político não mudou desde que a presidente conversou com Lupi na quarta-feira a ponto de fazer com que ela revisse sua decisão de mantê-lo no governo, ao menos por ora.

Dessa forma, mesmo vendo a corrosão do apoio dentro do PDT, o ministro ganhou mais uns dias de sobrevida, e pode até mesmo continuar no cargo até a reforma ministerial prevista para o início do ano que vem, caso não surjam novas denúncias que compliquem ainda mais sua situação política.

Segundo essa fonte, que falou sob condição de anonimato, a presidente quer manter Lupi no cargo para não limitar ainda mais as possibilidades que terá na reforma do primeiro escalão, quando ela pode tirar o PDT do Trabalho e alocar alguém da sigla em outra pasta.

Além disso, Dilma também tenta resistir à mais uma mudança ministerial motivada por denúncias da mídia de corrupção no seu governo, já que desde junho, seis ministros deixaram o governo, cinco deles em meio a denúncias.

A decisão de manter Lupi no governo contrasta com a posição do PDT. Ganha força no partido o coro daqueles que preferem que ele deixe a pasta imediatamente.

Essa dissidência tem crescido por dois motivos principalmente: o de preservar a imagem do partido e a crença de que, se Lupi sair agora, Dilma tende a escolher outro pedetista para o cargo, evitando assim que a legenda perca o Ministério do Trabalho para um partido aliado e ganhe em troca uma pasta de menor expressão.

"O partido tem uma coisa que o une, que é a certeza de estar na base da presidenta Dilma. A questão da conveniência ou não de (o ministro) ficar no cargo é uma opinião que está bastante clara que tem uns que defendem e outros que não defendem", afirmou o presidente do PDT, deputado André Figueiredo (CE), logo após o depoimento de Lupi no Senado, explicitando a divisão interna.

Ele explicou que o partido não tomará nenhuma posição sobre a permanência ou a saída do ministro no curto prazo, o que contraria as expectativas do governo, que preferia ver o PDT unido em torno de Lupi.

Além disso, senadores pedetistas como Pedro Taques (MT) e Cristovam Buarque (DF) disseram diretamente a Lupi durante a audiência que ele deveria deixar o cargo para se defender das acusações de que teria beneficiado a ONG do empresário Adair Meira, depois de supostamente pegar carona num avião indicado por ele para deslocamentos em 2009.

ACUSAÇÕES

Uma outra fonte do Palácio do Planalto, que também pediu para não ter seu nome revelado, avaliou que Lupi soube usar a audiência no Senado para derrubar o discurso da oposição, que o acusava de ter mentido aos deputados na semana passada, quando o ministro disse não ter relações com Meira e não ter usado um avião providenciado pelo empresário.

Na ocasião, o ministro foi à Câmara explicar denúncias de que haveria um esquema de arrecadação de propinas junto a ONGs conveniadas com a pasta, que serviria para abastecer o caixa do

PDT.

Segundo denúncias publicadas na mídia, meses depois de ter feito a viagem, o Ministério do Trabalho assinou convênios com a ONG Pró-Cerrado, que tem Meira como um dos diretores.

Depois do depoimento de Lupi à Câmara, Meira disse em entrevistas que conhecia o ministro e que havia indicado o avião usado por Lupi. Imagens divulgadas na imprensa também mostraram o ministro descendo de um avião ao lado de Meira.

O ministro chegou a afirmar que o avião havia sido providenciado pelo diretório do PDT no Maranhão, versão negada por dirigentes da sigla no Estado.

"Eu não sou amigo dele (Meira), eu não tenho relação pessoal com ele, e foi o que eu respondi (aos deputados)", argumentou o ministro aos senadores nesta quinta.

No entanto, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, analisa um pedido dos partidos de oposição para que investigue possível crime de responsabilidade de Lupi por ter supostamente mentido ao Congresso.

Fonte: Reuters

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