- 05 de janeiro de 2026
Raul reclama a ministro
situação de índios de RR
O deputado federal Raul Lima (PSD-RR) e o indígena Alfredo Silva (membro da Federação Indígena) foram recebidos pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, quando solicitaram providências que permitam atenuar o grave drama vivido pelos índios de seu Estado. O deputado fez relato a respeito da situação.
O problema é que os índios de Roraima estão vivendo à míngua e completamente abandonados. Sem assistência governamental, eles perambulam pela periferia da Capital, Boa Vista, mergulhados no álcool e também no uso de drogas. O congressista pediu ajuda ao ministro no sentido de se buscar urgente saída.
O cenário de horror que caracteriza a condição dos índios de Roraima é de difícil compreensão. Porque o Estado é rico, coberto de jazidas de minérios dos mais raros e oferece todas as condições de desenvolvimento que se possa crer. Apesar disso, o quadro é de extrema penúria. E não existe promessa de mudança.
Raul Lima afirmou que a homologação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol agravou a paisagem. A homologação aconteceu no dia 15 de abril de 2005, através de decreto assinado pelo então presidente, Lula da Silva (PT-SP). Mas a reserva foi criada na gestão FHC (1995-2003), quando Renan Calheiros era ministro da Justiça.
No ano em que ocorreu a homologação, a região hoje ocupada pela reserva possuía uma área em que se produzia arroz. Os rizicultores, que foram expulsos do local, haviam transformado o estado em polo exportador do grão. Muitos índios trabalhavam na lavoura e colheita mecanizada, provendo o sustento de seus familiares.
Legalizada a Reserva, os fazendeiros e não índios foram retirados pela Polícia Federal e a lavoura de arroz foi inteiramente devastada. Como consequência, os índios que perderam o trabalho que lhes garantia o sustento migraram para Boa Vista e formaram levas de desamparados que se instalaram precariamente na periferia.
Hoje, no inchaço demográfico da Capital roraimense, os indígenas e seus descendentes são corpo estranho sem qualquer apoio do poder público cumprindo apenas o ciclo da existência. Vivem numa espécie de limbo, jogados à margem de todos os benefícios e dependendo de favores e solidariedade.
Mas Raul Lima acredita que o Ministério do Trabalho pode desenvolver algum tipo de ação que permita alguma renda às famílias sem estrutura, encaminhando seus filhos a melhor sorte: com apoio educacional do próprio governo estadual. Por isso, sua ida ao ministro Carlos Lupi se revestiu de enorme expectativa na procura de mudança.
O ministro ficou de designar uma Comissão, para fazer levantamento apurado dos fatos, e prometeu oferecer resposta ao questionamento do deputado, no esforço conjunto de se buscar saídas. O parlamentar afirmou que irá acompanhar o desdobramento e deverá voltar ao Ministério tão logo se encontre alternativa.