Jucá nega criação de novo imposto
Líder afirma que, com a regulamentação da Emenda 29 e o consequente aumento dos gastos da saúde, governo estuda elevar tributos já existentes, e não criar um novo
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou ontem que o governo não pretende criar um novo imposto para financiar o Sistema Único de Saúde (SUS) quando a Emenda Constitucional 29 for regulamentada.
A Emenda 29 determina os valores mínimos que União, Estados e municípios devem investir em saúde pública. A norma vale desde 2000, mas até hoje não foi regulamentada. Sem a regulamentação, muitos governantes lançam gastos com aposentadorias, presídios, saneamento básico e reforma agrária, por exemplo, na conta do SUS. A regulamentação determinaria, detalhadamente, o que são gastos em saúde — para que a saúde pública deixe de receber menos dinheiro que o devido.
A votação da regulamentação da Emenda 29 está prevista para 28 de setembro.
Segundo o líder do governo no Senado, a regulamentação da Emenda 29 traz avanços para a saúde pública do Brasil, mas também o desafio de reforçar o orçamento destinado ao SUS. Essa injeção de verbas, disse Jucá, depende de medidas atualmente em análise no Poder Executivo.
Entre as alternativas para evitar a criação de um novo imposto, segundo o parlamentar, o governo considera um reajuste nos impostos sobre o cigarro e as bebidas alcoólicas e um aumento no valor do seguro obrigatório de veículos (o DPvat).
— Os ministérios da Saúde e da Fazenda estão fazendo os estudos necessários. Dentro de alguns dias, teremos uma posição — afirmou.
Jucá acredita que, do ponto de vista político, não é provável que seja levada adiante a proposta da Câmara dos Deputados para a criação de um novo imposto para financiar o SUS.
As propostas do Ministério da Saúde incluem o aumento de impostos já existentes e que incidem sobre produtos que, de alguma forma, elevam os gastos da saúde pública — cigarros, bebidas alcoólicas e carros (por causa dos acidentes).
De acordo com Jucá, as propostas são "embrionárias" — o governo ainda não fechou questão quanto ao aumento de algum imposto.