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EDITORIAL

Efetiva mudança


Efetiva mudança

Sem eufemismos, tudo muda para continuar o mesmo. Essa verdade fica mais cristalina quando é levada para o campo da política partidária. A cada eleição, o que se ouve são promessas e mais promessas. Cada político surge com a sua panaceia particular.

Cada um tem uma receita específica para curar os males que afligem a sociedade. Não importa a natureza. Todos serão resolvidos se o candidato A ou B for eleito. A propaganda é tão forte a ponto de engabelar até os mais céticos.

Passadas as eleições, tudo volta ao normal. E o normal é a crueza das mazelas que assolam e continuam a assolar o país. Quando irá aparecer um deputado ou senador que apresente um projeto de lei instituindo a obrigatoriedade do cumprimento das promessas feitas em campanha?

Já dizia o poeta: sonhar não custa nada. Pensando assim, este Fontebrasil contribui aqui com algumas ideias ao parlamentar que se propuser a realizar essa empreitada do bem. A lei poderia conter apenas três artigos. Sem parágrafos nem incisos adicionais:

\"\"Art. 1.º. As promessas de obras, leis e demais benefícios feitas em palanques, nos programas eleitorais gratuitos no rádio e TV, ou mesmo no corpo a corpo com o eleitor ficarão devidamente registradas.

Art. 2.º. A qualquer tempo, durante a vigência do mandato, o político que desrespeitar a execução das promessas citadas no artigo primeiro desta lei, perderá o mandato ex-officio (ato oficial que se realiza sem provocação de partes).

Art. 3.º. Ficam revogadas as disposições em contrário.

Difícil será encontrar um parlamentar que tope cortar na própria carne. Basta ver o exemplo fresquinho de absolvição pelo plenário da Câmara Federal da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Ela foi flagrada em vídeo recebendo dinheiro de propina, o chamado “Mensalão do DEM”. 

Enquanto esse deputado-suicida não aparece, a sociedade continuará a amargar fatos de pura sem-vergonhice, do quilate dos que ocorreram na Prefeitura de Boa Vista, com a eleição de Iradilson Sampaio, em 2008.

Iradilson elegeu-se sob a bandeira da segurança do emprego dos barnabés municipais e, três dias depois, a guilhotina já agia sem dó nem piedade, decepando o emprego de centenas deles. Outras centenas tiveram os salários reduzidos.

De lá para cá, a indústria do desemprego só cresceu no Paço Municipal. No mês passado, mais de 3 mil servidores foram parar no olho da rua. A culpa - alegam Iradilson e seu supersecretário Getúlio Cruz - é do FPM. Mas a arrecadação mostra outra realidade.

Qual será o carro-chefe das promessas no ano que vem? Como Iradilson e sua trupe vão justificar aos eleitores o não cumprimento da palavra empenhada?
 
Quando o cidadão compra um produto com defeito, volta até a loja e troca a mercadoria. Ano que vem completam-se quatro anos de sofrimento. A força do voto é a garantia única da troca dessa mercadoria defeituosa. 2012, portanto, tem tudo para ser o ano da mudança. Efetiva mudança.

 

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