Vai faltar defunto
Eu andava meio tristinho (sem viadagem, viram?). Depois de circular pela cidade e ver centenas de homens desocupados, meninas oferecendo o corpo por qualquer trocado e curumims catarrentos sem futuro para sonhar, vieram-me à mente as filas nos hospitais e postos de saúde. Pus-me a questionar: "Quem vai cuidar desse povo?" Uma estrofe de Chico invadiu meus pensamentos: "É gente humilde, que vontade de chorar".
Em casa, liguei a TV. Para minha surpresa e júbilo, vi um Roraima que eu não conhecia. Candidatos desfilavam na telinha prometendo tudo. Graças a Deus os salvadores do Estado estão a postos. Basta votar - não importa em quem – e nossos problemas estão resolvidos (nada a ver com as Organizações Tabajara). Educação, Segurança e transportes não serão mais problema.
Ah, a saúde virou coisa de primeiro mundo. Com tantos hospitais, postos médicos e atendimento em domicílio, o índice de mortalidade vai cair. A partir do dia 3 de outubro, a média de vida do roraimense vai a patamares nipônicos.
Gente, estou preocupado com Anselmo. Acho que o cemitério dele vai fechar... Não. Nada disso. Com a falta de defuntos, o empreendedor vai importar mortos do Amazonas, Guiana e Venezuela.
Desaprendendo
Assim não dá. Estudantes, professores ninguém respeita mais a Língua Portuguesa. Se o presidente da República "num tá nem aí pra isso", por que os brasileiros teriam que se preocupar? Placa oficial de identificação em escola, no bairro Cauamé, abrevia professor com um ozinho depois do efe. Para que isso? Professoro?
Gente: abreviação de professor é prof.; de professora, profª. De doutor, dr; de doutora, drª. Ponto.
